Irei ser suspeita a falar, pois de política, como os meus amigos já sabem, não percebo, nem quero perceber. São meandros demasiado oportunistas para a minha simples pessoa, do povo. Um ciclo que começou unido, como um bouquet, que iria fazer frente a tudo e todos, o nascer de uma roseira frondosa, revelou-se com o passar do tempo, que nem todos estavam dispostos a segurar tal bouquet.
Os pés de flor, ao pouco foram caíndo. E, no fim restaram poucos mais de duas rosas, que até já o pé tinham perdido, mas mantinham-se unidas, agarradas à vida, agarradas aos ensinamentos de um velho do Restelo, que mesmo afastado, ainda impõe a sua presença.Acabou a flor por murchar, como se viu ontem.
E até o dia que começou solarengo, acabou num cinzento, quase negro, fazendo adivinhar o fim triste, trágico de tal bouquet.
Como já todos sabem, a era é da laranja. Não a laranja mecânica, que essa pertence à Holanda dos idos anos 80. Mais a laranja do nosso Portugal, grande, robusta e cheia de sumo. Encontram-se alguns caroços pelo meio, mas também nem tudo é perfeito.E, se repararmos bem, junto às laranjas, encontram-se já alguns oportunistas limões, azedos, ácidos, que ao juntarem-se ao doce da laranja, ninguém dará por eles, mas eles estão lá a feirar.
A laranja acabadinha de chegar, irá despir-se para todos nós, com falinhas mansas, com promessas que irão tardar a ser cumpridas, mas não interessa. O importante neste momento é mostrar o gomo, e fazer escorrer o sumo que ela tem.
Quanto ao sumo, o que não seja escorrido, irá ficar com mofo, bolorento, sem graça nenhuma.E áqueles que ontem se riam, festejavam, dançavam, irão comer da laranja bolorenta que um dia pensaram que lhes mudaria a vida.

E pronto, foi a visão da nossa política.
























