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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Abandono


Gelado se encontra o meu corpo, assim como a minha alma.
Perdida de ti.
É dolorosa a perda que sinto na minha vida.
O vento continua a soprar forte.
Aos poucos o meu corpo, enfraquecido, rasteja pelo chão áspero onde me encontro. Pequenos rasgos, fazem verter sangue. O sangue que vai servir de alimento a pequenas larvas que me tentam consumir até à alma.
Tento colocar-me de pé. Tenho que conseguir!
A chuva continua a cair intensamente. O vento arrasta consigo pequenos galhos, que passam por mim, ferindo-me.
Sigo, devagar.
O meu pensamento está em ti.
O meu desejo está contigo.
As lágrimas teimam em cair, saudade, desejo...
Onde te encontras?
Onde te deixei?
Onde me deixas?

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sem volta!

O desejo mais do que profundo em querer sair do aconchego, fez-me voar para longe, levada pelo vento, levada pelas mágoas, levada pela tristeza.
A noite cai e com ela os meus medos voltam.
Não sei onde me encontro.
Ao longe vislumbro umas luzes que me servem de protecção.
A chuva continua a cair. Cada vez mais gelada, cada vez mais intensa.
Adormeço!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Perder-me


O ar encontra-se sufocante.
O sol queima a minha pele. Sabe tão bem sentir o sol quente, abrasador no meu corpo, despido.
A varanda, defronte para o mar, tem-me servido de abrigo.
As tuas mãos têm sido o meu aconchego.
Ao longe, o céu escurece rapidamente. O vento levanta-se tão rápido. As minhas hastes esvoaçam ao sabor do vento.
Onde estás? Sinto-me perdida.
Olho em todas as direcções. Os meus olhos não te encontram. O meu ser não te sente.
Chove torrencialmente. O vento sopra forte. Não aguento mais!
Estou sem ar. Sufoco com este tempo húmido.
Desabo no chão, sem a tua protecção, sem o teu carinho.
A chuva molha o meu corpo, deixando as minhas raízes sem o chão que me alimenta.
O vento leva-me para longe.
Quero voltar.
Ao longe vejo a casa que me acolheu.
Onde estás neste momento??

terça-feira, 12 de abril de 2011

Desassombro


Extraio a tua presença do meu ser.
Refugio o meu corpo, o meu pensamento, enlouquecendo um pouco todos os dias.
Quero esquecer!
Quero esquecer de me lembrar de ti.
Enfraquecida dia a dia.
Só.
O teu cheiro inebria o meu desejo, deliciando o meu pensamento.
São pequenos nadas que me vão fortalecendo.
São pequenos tudo que me deixam de rastos.
Quero sair!
Quero libertar-me!
Peço! Imploro! Enlouqueço! Enfraqueço!
Vejo teu rosto perto.
Sinto a tua tristeza.
Sinto a tua dor!
Liberta-me!

O mar encontra-se calmo.
As ondas envolvem o areal ardentemente!

As tuas lágrimas caem sobre as minhas folhas.
Delicadamente, sinto as tuas mãos no meu corpo...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Revolto


Revolto o meu ser, revolto imagens pelas quais chorei, sofri.

O cheiro do mar salgado faz-me querer fugir para longe.
As ondas batem fortemente, ao longe. Como se chamassem por mim.
Sinto-me presa. Estou presa!
As tuas mãos seguram a minha inquietude, a minha revolta, a minha ira em querer partir. A minha raíz agita fortemente a terra que a esconde. Aos poucos pequenos golpes rompem a minha pele. O sangue escorre deixando-me fraca.
Uma lágrima escorre pela minha face.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Quem?!?


Sinto o meu corpo de novo.
As pálpebras aos poucos vão-se abrindo. A pouca claridade cega-me.
O dia lá fora está cinzento. Ouvem-se as ramagens das árvores dançar ao compasso do vento. Ao longe, um farol. Estou perto do mar? Sinto o seu cheiro. Sinto a sua dor, agonizante, como se quisesse entrar ferozmente pela terra, alagando tudo à sua passagem.
Os meus braços elevam-se o mais alto que consigo. Quero ir para longe. Ver, cheirar, sentir o mar. Estou presa!
Onde estou?!
"Calma! Vais magoar-te!" - ouço uma voz sussurrar no meu ouvido.
Esta voz! Conheço esta voz.
Olho em todas as direcções, não vejo ninguém.
"Quem está aí?" - pergunto, um pouco a medo.
"Quem está aí?" - ouço a minha voz ressoar bem longe.
Quero fugir. O meu corpo continua preso.
Um pequeno toque na minha face, acalma a minha luta feroz.
Sinto-me cansada!

domingo, 7 de novembro de 2010

Percurso


O aconchego de teus braços.
O calor que exala de teu corpo, aquece meu coração.
Cada passo teu, cada ondear de teu corpo, faz mover minhas raízes. Pequenas pedras, pequenos grãos de areia, se soltam, deixando o meu corpo mover-se.
O vento sopra gélido.
Meus olhos tentam abrir-se. Meu corpo retorce-se. Água, preciso de água.
A respiração está ofegante. Peço-te água.
Sinto o teu corpo parar. Dizes algo que não entendo.
Sinto teus lábios, repousar nos meus.
A tua boca, move-se, contra a minha.
As tuas mãos, acariciam meu singelo corpo.
Sinto a tua língua, saborear cada pedaço dos meus lábios.
Esqueço onde estou, esqueço quem sou.
Só quero viver.
Envolvo meu corpo no teu, deixando-me ficar.
"Estamos perto amor! Aguenta mais um pouco!" - dizes calmamente, baixinho, ao meu ouvido.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ser

O teu sorriso é tudo o que me lembro.
Sinto-te perto.
Os olhos continuam fechados.
Sinto as tuas mãos percorrer o meu corpo.
Mãos ásperas de quem trabalha a terra.
A tua voz, como será?
Deixo-me embalar.
Peço-te água.
Aconchegas-me.
Pegas-me ao colo e levas-me para casa.
Dizes que vais tomar conta de mim.
Estou exausta, a luta tem sido cansativa.
Adormeço nos teus braços.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Luz ao longe

A noite gela o meu corpo.
Abro os olhos.
O luar denuncia uma presença.
O corpo dorido tenta fugir, não consigo.
Agrilhoada. Encontro-me presa à terra que me consome, pouco a pouco.
Alguém chega.
A força abandonou o meu corpo.
Seguras-me. Sinto as tuas mãos no meu corpo.
A tua mão, dá-me de beber.
Os olhos abrem-se muito a custo.
Encontrei um olhar doce, um sorriso tão calmo.
Tentei sorrir...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sombrio, de volta

Continuo sem saber onde me encontro.
A paisagem árida, o sol abrasador, queima o meu corpo.
Sinto-me liberta, mas uma ramagem do meu corpo continua presa à terra que me suga. O sangue escorre para alimentar aquele punhado de terra. Tento fugir. Libertar-me.
As minhas pernas tentam mover-se. Luto.
Desabo fortemente contra o chão.
Estou presa.
Ao longe, sinto uma presença.
Clamo, imploro.
Os meus lábios secos, vertem gotas de sangue que alimentam quem me enclausura. Forte. Fortaleço quem me enfraquece.
Os olhos encerram-se.
Sinto o meu corpo envolto pelo chão árido.
Anoitece.
PS: Para compreender este spot, tem que ler os anteriores.
Obrigado

terça-feira, 20 de abril de 2010

Onde estou?

Uma brisa, sopra suavemente na minha face. O sol quente aconchega-me. Onde estou? Os olhos continuam fechados. Começo a mexer o meu corpo, lentamente. Já não há terra que me prende os movimentos? Onde estarei? A custo, entreabro os meus olhos. Vislumbro uma paisagem árida.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Renascer

A água vai correndo intensamente. Longe, bem longe.
O sol queima a minha face. Sol? o sol? Será possível?
Sinto-me perdida...
Onde estou?
Quem sou?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sombrio II

Ouço a chuva ao longe, vai-se aproximando.
Sinto as gotas, perto.
A terra aperta-me cada vez mais, remexe-se como que a lutar pela vida e o meu corpo sofre uma vez mais a sua revolta.
Cai uma gota, e outra. Entram pela terra como o sangue corre pelo nosso corpo. Uma correrria ao tentar chegar mais fundo. Estas passam bem perto, sinto a sua humidade, desfaleço.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sombrio I

A terra ressequida vai deixando marcas pelo meu corpo.
O pouco ar que me chega, faz adivinhar uma trovoada. Água, vem aí água.
Os segundos passam, os minutos. Impaciente tento mexer-me, é dura a terra que me envolve.
Ao longe o céu troveja, o cheiro húmido chega perto, enlouqueço.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sombrio

O dia nasceu cinzento, sombrio, gélido.
A escuridão tem sido a minha companhia, sinto o meu corpo transformar-se dia a dia. A terra rasga-me a pele à medida que vou emergindo, uma ânsia em sair. Sinto-me apertada, sem ar, sufocando lentamente.
Água, necessito água.