segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dia Internacional da Dança

Se não estivesse ainda tão em baixo, hoje dançava muito.
Cinco dias de cama,a vomitar, com dores por todo o corpo, por vezes sem noção do sítio onde estava, ou como lá tinha ido parar, ranhosa, com febre, com dor de ouvidos, tão depressa ter frio como um calor sem explicação.
Nem mesmo quando estou com as crises de bronquite, da asma ou da alergia, estive tão doente.
O melhor, ou não, disto tudo emagreci mais 2kg, agora nem aos 50 chego.
Pode ser que logo ao chegar a casa dance um pouquinho com o meu pirata, isto se ele não se lembrar de querer ir jogar à bola.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Por onde terei andado??

Pode mesmo, uma gripe daquelas que nos prende à cama e nos faz doer o corpinho todo, por momentos, nos fazer perder a noção de tempo e espaço??

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dia Mundial da TERRA

Hoje em dia há dias para tudo e mais alguma coisa.
Alguns perfeitamente dispensáveis e ainda bem que só nos lembramos deles no dia em que são comemorados.
Outros há, que devíamos pensar nele todos os dias, e só nos lembramos no dia em que são comemorados.
Para mim, dia mundial da terra, é todos os dias.
Desde que acordamos, o ar que respiramos, a água que utilizamos, a roupa que vestimos, a comida na mesa, tudo mexe na terra, com a terra. E se nos esquecemos disso no dia a dia, um dia acordamos, ou não, e a terra como a conhecemos já não existe mais.
Para a TERRA viver, há que mexer, tocar, sentir, respirar a verdadeira terra.
Bora lá sujarmo-nos na terra??

domingo, 21 de abril de 2013

Íntimo Real?!

Imagem retirada da net

O crepúsculo entra pela janela, acordando-me.
Sorrio ao recordar a noite passada, a união intensa, ardente dos nossos corpos.
Ao meu lado a cama vazia.
A minha mão passa suavemente no sítio onde teu corpo esteve deitado. Fecho os olhos e recordo...
O rasgo suave da camisa de dormir, enquanto os nossos lábios se saboreavam intensamente. O toque na tua pele, a tua pele na minha pele, o toque da minha pele. Suavemente, sentir-te dentro de mim.
Amar-te, sentir-te, desejar-te
O tempo passa depressa demais, e agora aqui estou, só, recordando a noite, a madrugada, recordando-te.
Estiveste aqui!
Terei sonhado?
Levanto-me, encaminhando-me para a luz, encaminhando-me para ti. 
Um toque suave no vidro e a "porta" mágica abre-se deixando-te entrar, de novo, no meu ser, na minha alma.
Meu doce Anjo!

sábado, 20 de abril de 2013

De olhos abertos

Com os olhos abertos
Sigo os teus passos na minha direcção
Com os olhos abertos
Acaricio a tua pele junto à minha
Com os olhos abertos
Saboreio os teus lábios, intensamente
Com os olhos abertos
Sorrio ao ver o teu olhar, perto demais, do meu
Com os olhos abertos
Vejo
Sinto
Sonho
Que estás aqui, agora, junto a mim
Sorrimos
Um abraço apertado
Um beijo intenso
Uma carícia...
Um olhar....

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Visitas de Primavera

Quem diz que gosta da Primavera e deste tempo de sol, quente e com cheiro a ervas e flores por todo o sítio, eu atiro a matar!! A vossa sorte é que não tenho mão para disparar, consigo errar o alvo a menos de 5metros, eheh.
As minhas primas alergias já me visitaram ontem, e esta noite foi a avó bronquite. Por isso estão a ver a disposição.
Quero sopas e descanso!!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Se fechar os olhos

Se fechar os olhos:
encontro teu ser preso ao meu
Se fechar os olhos:
saboreio os teus lábios
Se fechar os olhos:
o teu sorriso ilumina o mundo
Se fechar os olhos:
perdemo-nos no espaço, no tempo
perco-me no teu corpo,
intensamente
delicadamente
Se fechar os olhos:
sorrio por te desejar tanto
Se fechar os olhos...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Penumbra

Imagem retirada da net

Na penumbra da noite
Visitas o meu ser
Descobres os meus segredos
Na morte, fazes-me viver


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Desculpas! Desculpas!

Os dias por aqui continuam chuvosos, com nevoeiro, diria mesmo;"Uns dias lindíssimos!"
Não é para falar do tempo que estou a escrever este post.
Quem visita o meu blog, quem me segue (persegue, eheh), e vasculha tudo o que escrevo, já deve ter notado que a etiqueta "DELÍRIOS" já a algum tempo que ficou parada. Coitadinho do José, ficou abandonado em África, com a guerra colonial. E a Maria, "assediada" pelo Ricardo e sem saber o que fazer.
Ai Meu Deus, tenho que colocar a história em dia!
Tenho recebido e-mails de pessoas conhecidas e algumas desconhecidas a "cobrarem-me" o resto da história.
Tenho duas histórias em "mãos", e depois quem sabe, um dia quando me visitarem não terão o seguimento dos "Delírios". Não vou prometer nada, pois não gosto de prometer e depois falhar.
Para quem nunca leu, aproveitem!
O dia continua chuvoso!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Um abraço só

A bruma envolve a cidade uma vez mais.
O céu cinzento e a aragem fria voltaram.
São poucos os passos dados, que me levam na tua direcção.
Aguardas a minha chegada, sorridente.
Sorrio ao pensar no nosso encontro, ao pensar em ti.
Aproximo-me de ti devagar, mas tu estás sempre longe. Quanto mais perto, mais tu te afastas.
Um desejo de te abraçar, sentir o teu corpo junto ao meu.
Uma lágrima corre pelo meu rosto.
Chove torrencialmente, e as gotas que tocam no meu corpo, chicoteiam-no ferozmente.
À minha frente a chuva intensa não me deixa vislumbrar-te, surges como uma miragem ao longe.
Só queria um abraço.
Só queria um.
Só!! Teu!! De ti!!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Desfolhar

Desfolhando o desejo, desfolhando o sonho que o meu ser alimenta.
Por cada pétala rasgada, lembranças que imundam o meu pensamento.
Por cada pétala rasgada, o desejo que cresce.
Por cada pétala rasgada, uma lágrima de saudade.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ontem houve sol, hoje há sol; para sempre...

Hoje o sol brilha intensamente.
Intensamente, entra no meu ser
Ilumina a minha alma
Faz-me viver.

Ontem também houve sol, e chuva e nevoeiro, um dia mágico, magnífico, lindo.
Adorei!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Pensamento Interrompido

Os olhos entreabrem-se a custo.
Puxo os lençóis até tapar a cabeça, até sentir a respiração quente, abafada até quase não conseguir respirar. Hoje não quero levantar-me!
Pela claridade que entra pela janela, a manhã deve estar cinzenta adivinhando-se um dia chuvoso.
Enrosco-me mais um pouco, até o meu corpo desenhar a famosa posição fetal.
No silêncio daquele espaço quente, ouço o bater do meu coração, a respiração ficar ofegante. Fecho os olhos mais um pouco, e deixo o meu pensamento voar; a serra de São Mamede e os seus pequenos riachos, o arvoredo denso, a chuva que cai sobre o meu corpo.
Sinto os teus dedos acariciar a minha pele, a tua mão massajando-me suavemente, os teus braços envolver o meu corpo. Neste momento o pensamento voltou de novo ao quarto.
Lentamente o meu corpo volta-se até encontrar o teu.
Os meus lábios saboreiam os teus.
Os olhos continuam fechados e o pensamento deambula entre os lençóis. Fica no quarto.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O exemplo de um post tonto

Hoje não sei o que escrever.
Por vezes há dias assim.
Os dedos passeiam-se pelo teclado, acariciando as teclas, onde os olhos se fixam como se estivesse à espera que algo apareça, assim do nada. Como está a acontecer neste momento.
Pela janela, vejo que o sol nos visita.
E amanhã?
Amanhã logo se vê!
Amanhã um dia mais. Espero que com mais inspiração.
Sorrio! Sorrio muito!

sábado, 30 de março de 2013

Eu, aqui

Imagem retirada da net

Eu, aqui
Sentada
Isolada
olho ao longe o infinito
e, ainda acredito
que um dia
um único dia
te encontro por aqui
e, pegando na tua mão
sairemos em busca do mundo
vales, serras, montes, planícies
No nosso íntimo, profundo
Eu, aqui
Tu....

sexta-feira, 29 de março de 2013

O Desenho

FELIZ PÁSCOA!!!!

Feliz Páscoa!!!

Para alegrar um pouco a vossa Páscoa, desafio-vos a pintar um desenho alusivo à data e colocar nas vossas páginas.
Não é nenhum concurso, passatempo, nem sequer há prémio.
Serve apenas para neste momento menos alegre, dar um bocadinho de cor à vossa vida e quem sabe recordar a infância que espero que não esteja perdida.
Beijinhos para todos os meus seguidores e uma FELIZ PÁSCOA!!!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Folhas em Branco

Imagem retirada da net

Começa como uma folha branca, simples, lisa.
É assim que a encontro à minha frente.
Aos poucos, acaricio suavemente a sua textura, sentindo a sua essência.
Fecho os olhos, tentando imaginar a paisagem, os momentos à minha frente. Seguro-a. Não pode fugir, não agora.
A pena desliza pelos meus dedos, beijando suavemente o pequeno frasco de tinta.
Uma letra, outra e mais outra soltam-se, salteando pela folha despida de vida. Letras que se vão juntando, formando pequenas palavras que aos poucos se ligam e interligam ao sabor do vento, da imaginação.
No fim, um texto sai da fornalha pronto a ser visto tantas vezes quantas a paixão de o ler e reler deixarem, alterar algum pormenor, voltar a ler, sorrir e deixá-lo no baú dos segredos junto de tantos outros que a timidez não deixa revelar.
Mais uma folha em branco... 

terça-feira, 26 de março de 2013

Eras tu!

Imagem retirada da net


O vento sopra forte.
As nuvens espessas escurecem o céu na sua passagem. 
Ouço som dos meus passos a cada pegada. Um som que se confunde com a paisagem invernosa que me acompanha. No chão o manto esverdeado que vai nascendo, renovando a vida que se encontra presa na terra numa ânsia por sair. Ao lado, as árvores despidas, com as suas ramagens que se agitam como se dançassem uma valsa solitária. No alto, a lua, a mágica lua que acompanha cada passo, desenhando o meu corpo disforme pela terra, terra esta que vai arranhando cada passagem tentando arrastar-me para as suas entranhas.
Por momentos queria desfalecer e entregar o meu corpo logo ali, naquele chão desconhecido.
De encontro ao chão gelado, presa no emaranhado de raízes que lutam pelo meu sangue, que as faz viver, o inconsciente leva-me para longe. Nesse momento a minha alma vagueia através dos campos. 
Eras tu quem eu queria encontrar.
Eras tu!
 
   

domingo, 24 de março de 2013

V Antologia de Poetas Lusófonos - o encontro


Uma manhã lindíssima. 
Uma manhã que nos foi brindando pelos rasgos de sol que por vezes as nuvens deixavam passar. Teimosas estas nuvens em Leiria! eheh!!
A "criminosa"!
Foi esta Antologia a responsável pelo encontro de vários poetas de várias partes do país e não só.
Homens, mulheres, novos, velhos, todos juntos pelas palavras, todos juntos pela ânsia em deixar sair todo o devaneio que os consome.
Para mais tarde recordar, o dia do nosso 1º encontro.
Estes bloguistas é só fotos! 
Para a direita! Olhem agora para aqui! Sorriso! Mais outra! A menina mais pequena não ficou na foto. Eheheh!
(para a próxima levo os sapatos com 15cm de salto!)
Peço desculpa aos meninos, mas não ouvi o nome do grupo musical.
Como os tratavam pelo nome, possívelmente nem são grupo musical, eheheh
Peço desculpa, mas esta foto tinha que estar aqui. 
Cunhadita, a tua prenda de Natal portou-se bem!!
Um final de tarde fantástico.
Do alto daquelas torres alguém nos observava.
Oh eram os pássaros! Já estava a pensar num cavaleiro andante.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dentro do Segredo


Uma prenda que recebi ontem e que estou a adorar ler.
Fantástico como sempre.
Obrigado Prima Júlia!
 
Sinopse
Desde o interior da ditadura mais repressiva do mundo, desde um país coberto por absoluto isolamento, Dentro do Segredo. Em abril de 2012, José Luís Peixoto foi um espectador privilegiado nas exuberantes comemorações do centenário do nascimento de Kim Il-sung, em Pyongyang, na Coreia do Norte.
Também nessa ocasião, participou na viagem mais extensa e longa que o governo norte-coreano autorizou nos últimos anos, tendo passado por todos os pontos simbólicos do país e do regime, mas também por algumas cidades e lugares que não recebiam visitantes estrangeiros há mais de sessenta anos.
A surpreendente estreia de José Luís Peixoto na literatura de viagens leva-nos através de um olhar inédito e fascinante ao quotidiano da sociedade mais fechada do mundo. Repleto de episódios memoráveis, num tom pessoal que chega a transcender o próprio género, Dentro do Segredo é um relato sobre o outro que, ao mesmo tempo, inevitavelmente, revela muito sobre nós próprios.

Feliz Dia da Árvore


E para comemorar o Dia da Árvore e como a minha especialidade não passa pela silvicultura, deixo-vos este belo tronco. Já teve dias melhores, mas faz parte do meu imaginário desde sempre.

Dia Mundial da Poesia

Para comemorar o dia, deixo-vos um poema de um dos meus poetas preferidos.

Remorso Póstumo

Quando fores dormir, ó bela tenebrosa
Em fundo de uma cripta em mármore lavrada
Quando tiveres só por alcova e morada
O vazio abismal de carneira chuvosa;


Quando a pedra, a oprimir tua fronte medrosa
E teus flancos a arfar de exaustão encantada,
Mudar teu coração numa furna calada
Amarrando-te os pés na rota aventurosa,


A tumba, confidente do sonho infinito
(Pois toda a vida a tumba há de entender o poeta),
Pela noite imortal de que o sono é prescrito,


Te dirá: "De que serve, hetaira incompleta,
Não teres conhecido o que choram os mortos?"
E os vermes te roerão assim como os remorsos.

Charles Baudelaire "As Flores do Mal"

Embaraços

Nunca!
Mas, nunca gaguejem quando falam com uma pessoa gaga.
Principalmente se for um vosso superior hierárquico.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dia da (In)Felicidade!

Hoje é Dia da Felicidade!
Vamos lá ver se saí uma coisa alegre.

Nos dias que correm o conceito de Felicidade anda pelas ruas da amargura e não tem o mesmo significado que antigamente.
Dantes éramos felizes com um dia de sol, o sorriso de uma criança, comer uma guloseima, quando o Benfica ganhava.
Hoje em dia a Felicidade passa por chegar a casa e ter comida na mesa.

Não consegui!

terça-feira, 19 de março de 2013

Dia dos Pais

19 da Março
Mais um dia que passa no calendário.
Como eu gostava de o festejar. Como gostava de o ter festejado numa altura em que sabia o que festejava.
Já partiste há muito (33 anos), mas continuas tão presente em todos os dias da minha vida.
Por vezes não sei se é saudade o que sinto.
Pode ser o desejo de estar perto de alguém a quem não cheguei a conhecer tão bem.
Somos parecidos? Dizem que sim! E eu acredito!
Para mim, todos os dias são dias do Pai, por isso te envio um beijo. A nossa conversa fica para mais logo.


A todos os meus seguidores (Pais) desejo-vos um óptimo dia.
Aos filhos, que ainda têm os seus pais, desfrutem da sua companhia o máximo que puderem.
Um sorriso especial, para um senhor que está doente, mas que vai ficar bom!

segunda-feira, 18 de março de 2013

O meu Anjo




Chegou.
Nem eu tão pouco sei explicar como chegou.
Num dia de Inverno, possivelmente devia chover, ele entrou no meu mundo, na minha vida.
Ao início achei impossível. Um Anjo?! Os Anjos não existem!
Aos poucos foi conquistando o meu ser, a minha alma.
Quem é? Não sei! Não consigo visualizar tão bem a sua face.Se existe? Para mim existe.
Se mais alguém o vê? Acho que não.
Os Anjos são almas perdidas pelo mundo na incumbência de nos encontrar.
O que acontece quando nos encontram?
Deixam-se ficar na nossa vida, invadindo o nosso ser, a nossa alma, eternamente...

sábado, 16 de março de 2013

dia de trabalho

Sim, são 8 da manhã!
Sim, é sábado!
Sim, estou a trabalhar!
Sim, está chover! - a notícia mais agradável, eheheh.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Oito anos de saudade

Continuas tão presente em mim, como se nunca tivesses partido.
Queria acordar e encontrar-te, sentir o teu cheiro, o teu beijo, o teu abraço.
Pegar nas tuas mãos (Meu Deus como eu gostava de segurar as tuas mãos novamente), que tanta vez me ajudaram a seguir em frente.
O meu amor por ti é eterno, por mais dias, meses, anos que passam, o meu coração ainda te recorda com carinho.
Sorrio quando nos lembro sentados no sofá, juntinhos, tapados com uma mantinha por causa do frio. Ninguém nos percebia!
E as batatas fritas com pimentos que tu fazias?? Deliciosas!
Tenho tantas saudades tuas.
Gostaria de ter passado mais tempo contigo, ter aproveitado a tua companhia. Ensinaste-me tanto!
Faz hoje 8 anos, perto das 21h, o meu peito começou a doer tanto, e o meu primeiro pensamento foi para ti, eu senti que algo não estava bem. O meu coração sentiu a tua partida.
Sempre presente na minha vida, na minha alma, meu querido avô Porfírio.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Sou friorenta

Acho engraçado dizer "Eu sou do tempo..." faz-me parecer uma senhora (pois sou uma senhora).
Mas continuemos.
Eu sou do tempo em que com as temperaturas, como as de hoje, se usavam quatro ou cinco "camadas" de roupa para sair à rua, fazendo-nos parecer lutadores de sumo. Pelo menos eu, que sempre fui friorenta.
Anos mais tarde, surgiu a revolucionária "camisa termotebe", isso é que era andar na rua com duas camadas de roupa, onde já não parecíamos tão enchouriçadas.
Depois, com a era dos polares a coisa melhorou substancialmente, até as curvas do corpo de notavam.
Hoje em dia, as nossas adolescentes, parecem primas afastadas dos vampiros. As criaturas saem à rua com um camiseiro, um casaco tão fino que se vê o sol e a lua por ele e não se constipam, nem têm frio. Será que o adn já vem com vestígios de lã??

terça-feira, 12 de março de 2013

Revista Plátano - conto

Este é o cenário que me inspirou para escrever um conto, que me deu muito prazer, e que irá constar na Revista Plátano-Revista de Arte e Crítica de Portalegre, a sair em Maio.

Hoje nem tudo foram más notícias.

V Antologia de Poetas Lusófonos

O convite e a capa do livro, em que participei com dois poemas.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Dias de Mulher

Por hoje, e só por hoje, gostaria de ter um dia diferente.
Não ter que viver envergonhada, escondida, não mostrar quem realmente sou.
Não viver triste pela humilhação, pela ignorância.
Poder e conseguir libertar-me.
Chegar à rua, respirar fundo e seguir em frente, sentindo o frio, a chuva tocar o meu corpo e sorrir.

Um sorriso para todas as mulheres, todos os dias!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Daniel beijoqueiro

Isto de ganhar o óscar de melhor actor tem que se lhe diga. Até direito a beijar o mulherio em volta e tudo!! Eheh
Também queria uma beijoca do "Último dos Moicanos"!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Gloriosa, sempre!!!

O meu Benfica continua aquela máquina!
Uns pequenos retoques no chassis, afinar a direcção. ajustar a suspensão, não deixar acabar a água e o gasóleo, gasolina ou gás conforme o modelo e a máquina até voa, fazendo companhia à àguia Vitória no voo rasante pelo campo verdejante.
Dia 7 de Março aguardemos os Napoleónicos de Bordéus!!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

É na noite

A madrugada trouxe consigo os raios de sol que me retirarm do leito de Morpheu.
Abri os olhos e sorri por ter a tua companhia na mais escura das noites.
É na noite, que os meus dedos exploram o mais belo dos corpos, tacteando cada pedaço, intensamente.
É na noite, que os meus lábios saboream a tua pele, beijando cada pedaço, intensamente.
É na noite, que inspiro o perfume mais inebriante, cheirando cada pedaço, intensamente.
É na noite, que vislumbro o mais belo de todos os seres, olhando cada pedaço do teu corpo.
É na noite, que ouço o mais doce dos cantos, a mais bela poesia que sai pela tua boca, quando dizes "Amo-te".
Quanto mais escura a noite, mais mágica ela se torna com a tua presença, tornando cada madrugada num fascinante arco-íris.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Se hoje o céu cair
E a noite sem fim
Dois corpos envoltos ardentemente
Perdoem a ousadia, é São Valentim!!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Lembrete embaraçoso

Raramente utilizo a função de "lembrete" do telemóvel.
Hoje estava numa pequena reunião com o "chefe máximo" e começo por sentir uma sensação estranha no bolso de trás das calças. Fiquei a pensar no que seria, até que se começa a ouvir um toque de alarme e eu como não era o toque do meu telemóvel nem liguei.
Então não é que o chefe olha para mim e diz que "estou a tocar"???!!
Foi então quando me recordei do lembrete que tinha colocado para não me esquecer de ir cortar o cabelo.
Que vergonha!!!!
E agora o que fazer??
Rir.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Permanecei em mim

Enquanto o sol me acordar de manhã
"Permanecei em mim"
Enquanto a chuva me molhar
"Permanecei em mim"
Enquanto o pensamento me deixar recordar-te
"Permanecei em mim"
Enquanto a minha alma te desejar
"Permanecei em mim"
Enquanto as estrelas brilharem à noite
"Permanecei em mim"
Enquanto a lua iluminar o teu corpo à minha frente
"Permanecei em mim"
Enquanto houver enquantos, por segundos, minutos, horas, meses e anos
Quero que...
"Permaneças em mim"!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Os dias vão passando sorrateiramente.
O silêncio acompanha-me e nos momentos mais tristes sorrio ao pensar em ti.
Enches cada pedaço da minha alma, do meu ser.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

01/01/2013

Só quero dizer que hoje é o primeiro dia do ano, que nos brindou com um magnífico nevoeiro.
Que seja o primeiro de muitos e bons dias de muita inspiração.
Estarei por aqui...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Uma grande perda

A nossa vida é feita de encontros e desencontros.
Cada pessoa que encontramos ao longo da nossa existência deixa em nós marcas mais ou menos profundas, conforme a intensidade do nosso conhecimento.
Conforme os anos avançam, vamos perdendo pilares que nos sustentam no dia a dia, formando-nos como pessoas, como profissionais.
Mas quando alguém parte cedo demais, uma parte de nós fica marcada como se de uma cicatriz se tratasse, para todo o sempre. Pequenas lembranças, sorrisos, vivências é tudo o que fica.
Quem hoje partiu foi uma pessoa muito importante na minha vida, a vida profissional. Em mim apostou cegamente, sempre me tratou como igual, pequenas confidências pessoais, e o seu perfume sempre presente cada vez que chegava ao serviço, não era preciso vê-lo para saber que lá estava, eheh.
Quando mais precisei, esteve lá.
Só quero recordar o bom, também não há mau para esquecer.
Lutaste uma luta inglória, sofreste até ao fim.
Irei recordar-te como sempre.
Um grande Amigo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Desejo a todos os meus seguidores e visitantes um Santo Natal!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

V Antologia de Poetas Lusófonos

“ILUMINA A MINHA LUZ”
Quando o quarto minguante 
lá do alto vai rompendo 
Deixa o céu envolto em prata
Um raio de luz vai nascendo

Movo montanhas, serras e penhascos
Na busca incessante do teu ser
Perco-me, sozinha na noite
No frio procuro me aquecer

A noite continua o meu refúgio
É nela que me sinto segura
Quantos olhos observam
no seu olhar, mais uma criatura

Ouço a tua voz chamar por mim
Ao longe contemplo simples luminosidade
É a chama do Amor
Que nos envolve pela imortalidade 


Ao longe, a luz teima em espreitar
Inquieta o meu frágil ser
Brilhos que ofuscam o dia
Parto, agitado, alteração do meu viver.

Por montes e vales, percorro
Em busca de quem me atormenta
Na penumbra alimento a minha dor
Uma dor que me apoquenta, violenta

Nuvens trespassando os céus
Acompanham o meu caminho
Sigo inglória, em busca da luz
Um trilho que sigo, sozinho!


“PERDIDA”
Perdida na noite
Sem rumo
Perdida de ti
Sem destino
Procuro e não te encontro
Procuro e não te sinto
Deixaste-me sozinha
na solidão
desamparada, triste
Com saudades de te ter
junto a mim
Com saudades de te sentir
dentro de mim
Continua à procura
Sozinha
Perdida...na noite

Prados no Olhar - Colectânea Ocultos Buracos - Pastelaria Estúdios Editora

Naquele momento o sangue escorre pela minha boca como fogo queimando mais que a pele, ardendo mais que os anos passados. Um vermelho intenso, único. Esta é a minha natureza, dúbia, viva, morta, sempre à espreita de escolher entre o certo e o errado. Aos poucos, o corpo que se encontra junto a mim, vai perdendo o quente da vida.
A cada entardecer preparo-me para a saída triunfal. Não é uma situação que me deixe feliz. Por vezes a escolha é difícil, mas o meu “faro” é apuradíssimo a detectar doenças ou pequenas fragilidades humanas. Não posso colocar em risco a minha “saúde” se mordesse um humano doente.
Aconteceu uma única vez no início da minha vida noctívaga. A experiência não era muita na altura, e quando a sede chegava era uma luta constante até encontrar alimento. Valeu-me a ajuda do meu criador, Fausto, um ser belo, irresistível ao olhar feminino das humanas. 1,90m, cabelo grisalho (embora não fosse tão velho assim), corpo torneado pela prática desportiva. Não havia nenhuma mulher, humana ou vampírica que não o olhasse mais do que uma vez quando passava. Comigo foi diferente.
Naquela noite fiquei a terminar um relatório importante. Só dei pelas horas passarem quando o meu estômago reclamou. Arrumei a secretária e quando ia apagar as luzes, tive a sensação de estar a ser observada. “Só pode ser imaginação!”
Quando cheguei à rua, a brisa que se levantou no momento fez chegar até mim o cheiro a tosta mista. Havia um café ao fundo da rua, seria de lá o cheiro? Segui até lá. Não havia muita gente. Enquanto esperava o pedido, reparei em alguém sentado no fundo da sala, parecia alto, cabelo grisalho. Quando o nosso olhar se cruzou, ele sorriu e senti os meus lábios sorrir. “Como sorrir?! Eu não conhecia aquele homem!”.
Depois de ser atendida, saí o mais rápido que me foi possível. No caminho de volta para o carro, senti passos atrás de mim. Com receio não olhei, mas fui sentido, cada vez mais intensamente, uma presença “colada” a mim, e antes que me pudesse voltar, senti uma mão puxar por mim fortemente para trás e antes de desmaiar, fiquei com a sensação que estava a voar.
Não sei quanto tempo fiquei desmaiada, e ao acordar vi alguém sentado a meu lado, olhando-me de uma maneira fria, distante. Os seus olhos estavam tão negros.
“Nada temas!”
Era o homem que estava no café e que tinha sorrido para mim. Fiquei imóvel. Chegou-se mais perto, e a sua boca encostou-se serenamente perto do meu coração. Um beijo! Senti um beijo no meu peito. O coração bombeava o sangue rapidamente, o meu corpo escaldava. Sentia cada bombear ao segundo, ao milésimo até um pequeno rasgo ser feito e nesse momento a minha cabeça “explodiu”. Sentia o sangue a afluir ao pequeno rasgo feito na pele, abandonando o meu corpo, servindo de alimento aquele ser. Enfraquecia rapidamente e nesse momento mil pensamentos convergiam na minha cabeça e arfante consegui dizer: “-Nada temas!”
O homem ficou surpreso com o que disse. O seu olhar encontrou o meu, baixou a cabeça e envergonhado disse: “-Prometo cuidar de ti!”
Desmaiei e a partir daquele dia, a partir do meu novo acordar, a minha vida nunca mais foi a mesma. “Era uma vampira!” Fausto tinha-me transformado. Até então nenhuma das suas vítimas tinha sobrevivido. Ao longo dos anos fui aprendendo tudo o que seria possível para sobreviver com o meu Mestre. Mesmo num dos momentos mais drásticos para o mundo vampírico, tínhamos conseguido sobreviver graças à sua sabedoria.
Certo dia, um descuido meu colocou em risco a nossa sobrevivência. Ainda não conseguia controlar tão bem a minha sede, e o “faro” ainda não estava tão apurado. Mordi um humano doente, e quando me quis levantar não consegui. O sangue fervilhava dentro do meu corpo ferozmente, o doente ia atacando o meu organismo, ia morrendo aos poucos. Como se fosse possível uma morta-viva, morrer de novo! Passaram algumas horas até que Fausto me encontrasse e quando viu o meu estado, deu-me do seu sangue a beber. Quando os meus lábios entraram em contacto com a sua gélida pele, sugaram violentamente o seu sangue, deixando-o bastante debilitado. Quando acordei e vi o estado em que o tinha deixado, fui em seu auxílio. Cacei para o salvar. Éramos a dupla perfeita, tão perfeita que muita gente nos queria ver “mortos”. Uma emboscada afastou-nos para sempre. Fausto foi derrotado por Vicente o vampiro mais antigo e eu fiquei presa durante alguns anos até conseguir escapar. Agora vivia escondida dos humanos, escondida dos vampiros, desconfiando de tudo e todos. Por mais que me escondesse, por vezes encontrava vampiros prontos a acabar comigo.
Mais uma mudança de casa. A nova habitação fica na cave de um velho edifício. Não tem muito movimento e um banco de sangue perto, é uma mais valia. Quando o último turno acaba, e já não há ninguém no edifício, saio do meu esconderijo, vagueando pelos corredores vazios. Uma vez por outra “desvio” um pequeno saco de sangue. Aqui não há o perigo de adoecer sendo o sangue analisado. Abrir a arca frigorífica, escolher o grupo sanguíneo mais apetitoso, segurar o sangue fresco nas mãos, senti-lo escorrer pela boca é uma sensação maravilhosa. Tão maravilhosa como o facto de saber que não matei ninguém para o obter.
Uma noite mais.
O vento sopra forte fazendo a folhagem voar pelo ar, assobiando ao passar pelas fissuras das janelas e das portas. Percorro o parque da cidade, observando os poucos resistentes que ainda por ali andam.
Começo a sentir fome. O meu olfacto tenta decifrar o melhor alimento, mas esta noite é pouca a escolha.
Não muito longe da casa que me serve de abrigo, vejo que alguém me observa. Não consigo deixar de olhar para o meu observador, aquele olhar faz-me recordar o verde dos prados numa manhã de primavera. Pouco a pouco chegamos perto um do outro. Não sinto medo e “sinto” que do outro lado também não há. Vejo um sorriso e antes que tenha tempo de reagir, já dois “torpedos” (seres inimigos de humanos e vampiros) me seguram, enquanto o rapaz dos olhos verdes me injecta uma substância que começa pouco a pouco a lutar contra o meu organismo. Não estou a morrer, ainda, mas o meu corpo não reage a estímulos, nem ao meu pensamento. Ouço-os rir, um sorriso de vitória.
“- Conseguimos! Vingança!” Nenhuma das faces são familiar.
Após verem que não reajo, pegam em mim, atiram-me contra a parede, caindo o meu corpo desamparado no chão. Murros, pontapés, pequenos golpes de navalha, rasgam o meu corpo. Não sei que substância me injectou, apenas sei que me está a tornar humana? Sinto cada golpe desferido, os jorros de sangue salpicam o chão, a parede, inundam o meu olfacto, deixam-me moribunda.
“- Porque não me consigo defender? Sou uma vampira!”
“- Finalmente uma arma contra os vampiros. Agora é aguardar para ver o final.” – ouço-os dizer.
Já pouco de mim sinto. Os golpes são fortes, ou está enfraquecido o meu corpo? Não sei o que pensar, o que sentir. Nada mais há a fazer, quem quer que sejam, estão a matar-me.
“- Vem aí alguém. Vamos embora!” O campo de visão reduzido não me deixa visualizar o que se passa, o meu corpo não se mexe. Ouço-os correr em direcções opostas.
Algo soprou na minha direcção, alguém está a pegar-me ao colo. Quente! Sinto calor como já não sentia há muitos anos. Fecho os olhos, e demasiado fraca, desmaio.
Sangue! Sinto o cheiro de sangue. Por dentro, o meu corpo luta por sangue, uma luta interior, intensa, agoniante.
“- Eu sabia que existias! Se não me fizeres mal, eu ajudo-te!”
“ Como posso fazer mal, se não me mexo?!” – penso.
Uma mão percorre o meu corpo, tocando-me levemente. Acaricia a minha face, os meus olhos, os meus lábios. Sinto uma pequena pressão na minha boca, fazendo com que ela se entreabra. Pequenas gotas de sangue, escorrem pela minha boca, pela minha garganta, alimentando-me, fazendo-me viver a cada segundo passado. A fome é intensa, e após o primeiro saco, segue-se outro e mais outro, fazendo renascer o meu corpo, sarando feridas e golpes. Estou a sentir o meu corpo, de novo!
Subitamente levanto-me, e antes que o meu “salvador” se aperceba, salto para cima dele, derrubando-o contra o chão. Uma das minhas mãos está no seu pescoço e a outra prende uma das mãos, e as pernas entrelaçam as dele, imobilizando-o. Os seus olhos estão fechados.
“- Quem és?!”
“- Sou o novo analista. Chamo-me Gabriel.”
“- Foste tu quem me salvou?”
“- Não. Tu é que te salvas-te, eu só ajudei. Estava a passar quando te vi caída no chão, ferida e trouxe-te para o meu serviço.”
“- Sabes quem sou? Sabes o que sou?”
“- Sim, sei quem és, e o que és.”- pouco a pouco as minhas mãos soltavam-no.
“-Abre os olhos!” – as pálpebras entreabriram-se e o verde dos prados, sobressai de novo à minha frente. “-Tu!!” A minha ira, a minha raiva toma conta do meu corpo, da minha mente. Só penso em acabar com aquele “torpedo”.
“- Não sou quem pensas, espera!” A minha boca, os meus dentes encontram-se perto da jugular pulsante, bombeando o sangue que aguça cada vez mais o meu apetite, mas algo faz-me parar. Observo o ser à minha frente. Não tem nenhum corte, nenhum hematoma, a pele branca reluz sem nenhum sinal de luta, mas no corpo deitado por baixo do meu, algo chama a minha atenção. Por baixo, como se de uma cama se tratasse, está um aglomerado de penas negras, parecendo asas.
“- Quem és tu!?”- pergunto, levantando-me de seguida.
“- Não te quero fazer mal, simplesmente fui o isco para te apanhar, mas não podia deixar que “os torpedos” te matassem. Como te disse, chamo-me Gabriel e sou um Anjo Negro. De dia, analista, há noite, vagabundo do tempo. Foi numa das minhas saídas nocturnas que te conheci e desde esse dia que te observo sem dares conta. Sei que por vezes te abastecesses aqui na clínica, e que te sentes mal, triste, quando tens que matar alguém.”
“- Cala-te! Não sabes quem sou, nem me conheces o suficiente para falar.”
“- Na noite que foste mordida por Fausto, era eu quem te observava quando estavas no escritório. Desde aí tenho-te seguido. Perdi-te o rasto durante uns anos, mas quando te reencontrei nunca mais te deixei.”
“- E onde entram os “torpedos”?”
“- Certa noite vi-os perto da clínica, falavam de ti. Um deles segui-te e descobriu o teu esconderijo. Fiz-me amigo deles. Um dos dons dos anjos é fazer amigos depressa. Ouvi-os planear a tua emboscada e ofereci-me para ser o isco. Enquanto estavam distraídos contigo, reapareci como anjo para os assustar e o resto já tu sabes.”
“- E agora? Eles sabem onde estou.”
“- Eles pensam que morreste, consegui-os despistar para bem longe daqui. Basta que durante uns tempos não saias.”
“- Tenho que sair. Como me vou alimentar?”
“- Alimentas-te aqui na clínica. Já te perdi uma vez, não te quero perder de novo.”
Os olhos verdes sorriam para mim, Através deles “vi” os prados que um dia conheci com Fausto. Estava a ser hipnotizada por aquele olhar e pela segunda vez em toda a minha vida, estava a deixar.
Durante o dia mantinha-me escondida, praticamente como sempre tinha sido, e durante a noite deixava-me levar pela presença, pela beleza, pelas palavras de Gabriel. Estávamo-nos a descobrir mutuamente e teríamos toda a eternidade para o fazer e o melhor de tudo, nunca mais tinha morto ninguém para viver, para sobreviver.
Gabriel olhou para mim, sorriu e com as suas asas envolveu o meu corpo. Encostei a cabeça no seu tronco quente e ouvi o bater do seu coração bombeando o sangue veloz. A minha língua saboreou os meus lábios, estimulando o apetite por aquele sangue meloso. Os dentes saíram aguçados e suavemente penetraram a pele adocicada do anjo negro, deixando o sangue escorrer pela minha boca, alimentando-me.

O Anjo - Colectânea Corda Bamba - Pastelaria Estúdios Editora

Ao entardecer o nevoeiro vai descendo a encosta, cobrindo a cidade com um manto espesso. O vento sopra forte, fazendo rodopiar a folhagem que se encontra pelo chão.
Do alto de uma torre, alguém observa toda a atmosfera que envolve a cidade. O seu olhar observa para além do que o comum dos mortais consegue visualizar. Há séculos que aquela é a sua casa, aquela a sua cidade. Cidade que foi vendo ser construída a pouco e pouco. Um início tão diferente do que agora se apresenta. Aos poucos o betão foi ganhando terreno ao denso bosque. Dezenas, centenas, milhares de pessoas já passaram por si. Já o contemplaram, adoraram, idolatraram e até mesmo o odiaram.
Aquela era a sua sina. De dia uma estátua imóvel, fria, rude; de noite um anjo caído, um anjo que o único erro que cometeu foi o querer ser um comum mortal.
A angústia, o sofrimento de início, deu lugar a um coração vazio, a uma alma solitária. Quantas histórias de amor tinha visualizado, presenciado ao longo dos tempos. Quantos encontros, desencontros, amores, paixões, loucuras, traições, os seus olhos tinham visto, a sua alma sofrido.
Nunca soube o que era o amor. Nunca, nenhuma mulher, tinha feito o seu coração bater mais rápido, tinha conseguido transformar a gélida pedra em fogo ardendo de paixão.
O nevoeiro continuava a sua caminhada pela encosta. Não tardava muito para que a sua forma imóvel ganhasse vida e pudesse deambular sozinho pela cidade.
A poucos metros dali, um carro passa na rua.
“Não posso ir, compromissos inadiáveis!” – esta era a resposta que gostaria de ter dado à sua prima. Encontrar toda a família no fim de semana, não era propriamente agradável. Já estava a ouvir a tia Josefina e avó Teresa a papaguear: “Então o namorado?”, “Quando será a tua vez?” O acidente dos seus pais, anos antes, tinha sido o início desse afastamento.
Com estes pensamentos nem se tinha apercebido que tinha escurecido. Depois de passar na loja para comprar o vestido, seguiu viagem.
Olhou uma vez mais para o banco ao lado. Em cima do assento a caixa com o vestido acabado de comprar, que só iria usar no casamento da prima e teria o mesmo fim que os outros: armário.
Com tanta distração e pensamento com o vestido acabou por se perder.
Ao longe o céu iluminava-se em raios que rasgavam por entre as núvens negras. A chuva começou a cair cada vez mais forte. Não gostava de conduzir a chover, era melhor procurar um abrigo.
Uma luz ténue assinalava a entrada de um prédio. Não gostava muito de andar à chuva, mas não iria ficar dentro do carro à espera que a tormenta passasse. Abriu a porta e correu até à entrada do prédio. Era pouca a distância mas mesmo assim, ficou toda molhada.
A porta encontrava-se aberta. Entrou.
Era uma casa antiga. Um grande hall deixava ver uma escadaria em madeira trabalhada, lindíssima. À direita um pequeno corredor que tinha uma única porta ao fundo. À esquerda uma ampla janela que deixava ver o temporal lá fora.
“-Está aqui alguém?” a sua voz ressoou por toda a casa.
Ficou com receio de seguir. Voltou-se para sair, quando ouviu uma voz vinda do fundo do corredor, à sua direita.
“-Pode entrar, já aí vou.” Pareceu-lhe uma voz calma, que a sossegou.
Após as formalidades das marcações, uma senhora já de idade encaminhou-a ao quarto. Subiu as amplas escadas e seguiu à direita por um corredor escuro, cheio de pinturas, pouco iluminado. Engraçado, aquelas pinturas pareciam que a observavam. Deu por si a sorrir ao pensar em tal disparate.
Pararam defronte de uma porta larga.
“-Eis o seu quarto, menina!”
“-Obrigado!”
“-Se precisar algo, é só tocar a campainha.” e foi embora.
Depois da porta se fechar, olhou em volta para o quarto. Uma cama no meio do quarto, com um dossel, um tocador à sua esquerda, com um espelho trabalhado, ao lado um grande armário. À sua direita uma enorme janela que dava para um terraço.
Depois de colocar a pequena mala em cima da cama, chegou-se perto da janela. Tinha deixado de chover. Abriu as vidraças. Uma aragem fresca entrou pelo quarto. Seguiu até ao parapeito e observou a vista dislumbrante que dali se contemplava. Mesmo de noite escura, a vista era magnífica. Deixou-se ficar, sem dar pelos minutos passarem.
Quando se voltava para entrar de novo no quarto, viu uma estátua de pedra. Chegou-se um pouco para a examinar, A sua mão tocou numa textura rugosa, gélida. Naquele momento o seu coração bateu fortemente. A textura rugosa pareceu-lhe que tinha ficado lisa. “Que loucura!”
Voltou-se, entrou no quarto e fechou as vidraças, deixando o pouco luar que teimava aparecer por detrás das nuvens entrar pelo soalho até à cama.
“Quem é esta rapariga? Porque me tocou no momento em que o meu corpo começou a sua transformação?” Deixou-se ficar sossegado, até sentir que ela dormia.
Passaram alguns minutos.
As nuvens estavam mais dissipadas, deixando um mágico luar inundar a noite.
Entrou no quarto tentando não fazer barulho.
Na sua cama dormia uma jovem que não sabia quem era. Uma jovem que tinha teimado em lhe tocar. Um toque que nunca tinha sentido. Um toque que tinha feito o seu duro coração, derreter.
Sentou-se na beira da cama, contemplando a jovem. A pequena almofada encontrava-se desenhada por um farto cabelo ondulado.
Suavemente a sua mão desenhou no ar o contorno da cabeça, passando pelo pescoço, descendo pelo corpo. Um perfume exalava do seu corpo, inebriando o seu ser, o seu corpo angelical. “Quem é esta mulher?” Fechou os olhos e visualizou todos os séculos da sua vida, tentando encontrar perdido no tempo, alguma presença daquela mulher na sua vida. Nada. Nunca nenhuma mulher lhe tinha tocado no momento da sua transformação. Na sua forma de pedra já tinha sido tocado tanta vez, no entanto na sua forma humana nunca se tinha deixado ser visto por ninguém. Quem iria tocar-lhe tendo ele asas?
Com todos estes pensamentos, nem deu por Orquídea (assim se chamava a jovem) ter acordado, estar sentada na cama a vislumbrá-lo. Nunca tinha visto ninguém assim. O tronco nu deixava ver nas costas umas asas fechadas que as tapavam. Parecia alto, magro. Só podia ser a imagem de pedra que estava na rua. Olhou para o sítio onde a tinha visto a última vez e não estava lá.
Quando olhou em frente, os seus olhos encontraram os do seu Anjo.
Estavam os dois assustados, não pelo medo, mas pela surpresa daquele encontro.
O Anjo levantou-se e ia a sair, quando Orquídea lhe pegou na mão.
“-Não vás!”
Orquídea levantou-se e ficou mais perto do Anjo.
As suas mãos continuavam unidas, entrelaçadas. O encontro do seu olhar tocou fundo o coração de cada um. Um pequeno abraço uniu os seus corpos.
Olharam-se de novo. Suavemente os seus lábios tocaram-se, como se não soubessem o que fazer a seguir. As suas mãos tatearam os seus corpos, descobrindo-se mutuamente. O receio inicial foi dando lugar à paixão ardente que os seus corpos exalavam.
O Anjo aconchegou Orquídea junto a si e as suas asas tocaram o seu corpo despido. Os seus lábios exploraram cada pedaço do seu corpo. Orquídea tocava o corpo angelical, escaldando de desejo, de paixão.
Entre beijos e carícias suaves, os dois corpos uniram-se num só. Nesse momento os seus olhares encontraram-se e em pensamento disseram “Amo-te”.
O luar foi testemunha de uma noite de paixão.
Quando a manhã chegou, Orquídea encontrava-se sozinha na cama. Teria sonhado?
Levantou-se e correu até à janela. Lá fora, a estátua de pedra angelical, continuava no mesmo sítio. “Foi real! Eu sei que foi real!”
Depois de se arranjar, desceu as escadas e saiu.
Ao entrar no carro, olhou para o embrulho no assento ao seu lado e em cima dele encontrou uma pena. Sorriu e seguiu viagem.
À noite quando entrou no seu quarto, o Anjo encontrou um pequeno bilhete em cima da cama:
“Agora que te encontrei, nunca mais te irei deixar.
Eternamente tua.
Orquídea”
Sorriu e disse baixinho: “Ad' tejavel”

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O Fim

Como tudo na vida há um início e um fim para todas as coisas, para todas as situações.
No início deste blog, o propósito com que foi criado fez renascer em mim uma vida que há muito tinha perdido. Não que tivesse receio ou medo das coisas que aqui escrevi, mas enquanto ninguém sabia que eu as escrevia sentia-me livre. Neste momento sinto-me agrilhoada como Prometeu.
Perdi a vontade de escrever, de ler. Até o sorriso sai cada vez mais forçado.
Hoje é o último dia que aqui escrevo, este blog deixou de fazer significado para mim. Guardarei alguns dos post`s que aqui tenho para um dia mais tarde recordar e quem sabe até sorrir.
Irei aqui publicar as duas histórias que escrevi para as Colectâneas da Pastelaria Estúdios Editora e os dois poemas seleccionados para integrar a V Antologia de Poetas Lusófonos.
Como não gosto de dizer "Adeus" fica um "Até já!".
Carla David

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Doente à distância

A distância tem destas coisas.
Por mais que queiramos ajudar alguém, a longa distância deixa-nos de mãos e pés atados.
Um telefonema, uma sms alegra a alma, mas realmente não é a mesma coisa, quando o que queríamos era estar perto, ver o olhar, sentir um abraço.
As melhoras!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Incompreensão

É na solidão do meu lar, na noite escura que recupero do movimento frenético do dia a dia.
São estes os momentos nos quais me alheio da realidade que me envolve e me deixo levar para um mundo incompreensível.
Diariamente o cenário muda e os personagens desvanecem pela minha mente.
O certo, o errado confundem-se em momentos tortuosos.
Não há sol, não há céu, nem frio, nem calor.
E assim fico, aconchegada no meu leito esperando o amanhã.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aula de alemão

Com a visita da sr.ª Merkel a Portugal, lembrei-me das aulas de alemão no longíquo ano de 1990.
A professora era o terror das turmas de Humanidades do 10º ao 12º ano.
Após a 1ª aula em português, todas as outras foram em alemão do início ao fim. Um horror!!
Pouco fiquei a saber, mas quando era para ler, lá estava eu sempre de braço no ar. Como a professora dizia :" A menina não percebe nada do que diz, mas tem uma pronúncia excelente!"
Ao menos isso!

domingo, 11 de novembro de 2012

Sempre agradável

Prenda de anos natural





Querida Mané, és uma apressada!!
Aqui vos deixo uma belíssima obra da minha amiga Mané.
Um nabo esculpido por ela, acompanhado por lindas folhas de Outono, que gosto muito.
Uma prenda de anos temporária mas oferecida com muito gosto.
Obrigado Mané!!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sugestão Semanal

Sábado, dia 10 de Novembro pelas 16h, o Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre apresenta "Passeando na História", um reviver das nossas tradições, onde o passado, o presente e o futuro do Rancho da Boavista estão em ligação.
Comemorar 45 anos de Actividade.
Para este espectáculo recorreu-se a alguns dos elementos que um dia já fizeram parte da vida do Boavista, e dos actuais.
Também eu um dia já fiz parte desta família. E foi tão bom voltar a dançar ao fim de 23 anos. Como se costuma dizer é como andar de bicicleta, nunca se esquece. Assim que os primeiros acordes começaram foi como religar a máquina e ela arrancasse do ponto em que ficou.
Já há dois meses que temos ensaios semanais, duas horas de intensa actividade.
No ínicio parecia que tinha levado uma sova, mas depois o corpo foi-se habituando de novo ao movimento. O que custa ainda um pouco é os braços nos ar. Já não tenho mais 11-15 anos, eheheh.
Dançar sempre com um sorriso, o que me ensinaram e o que tenho posto em prática em toda a minha vida.
Convido-vos a aparecer.
Ficarão surpreendidos com o grandioso espectáculo que está a ser preparado e claro terem a oportunidade de me ver dançar, trajada a rigor.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Dave Matthews Band - If Only

Aniversário

A noite esteve seca e fria.
O Outono continua belo, com a sua folhas caídas e a paleta de cores amarelo-laranjas- avermelhados a colorir os campos verdejantes.
Só podia ter nascido num dia assim.
E faz hoje 38 anos.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Distância

Distante do ponto de partida, afastada do ponto de chegada.
Percorro o caminho trilhado por outros, caminho esse que não escolhi como meu.
Quantas vezes me quis perder e nunca mais me encontrar.
Tudo na minha vida é certo, o quase ideal. E do que serve?
Do que serve seguirmos com a máscara que todos esperam que tenhamos.
Por um só dia, gostaria extravasar toda a minha essência, todo o meu ser e alma, e ser uma única vez tudo o que sonhei.