sábado, 28 de dezembro de 2013

Invernoso

Os últimos dias têm passado lentamente, mais lento que o normal do dia a dia. O vento pára, pelo ar as folhas ficam suspensas, entre um sopro e outro. As gotículas caem frias no rosto que enregela a cada toque molhado. Quanto tempo terei andado, quantas horas, quantos dias? Pelo chão o manto outonal amontoa-se, beijando os meus pés a cada passo dado. A ramagem despida, chicoteia o meu corpo a cada passagem, marcando-o por todos os erros do passado, por cada escolha, por cada incerteza. Chegou o Inverno...

domingo, 10 de novembro de 2013

Orgulhosamente GLORIOSA!!!

Orgulhosamente Benfiquista e, desculpem lá os sportinguistas, mas este fim de semana o jogo foi nosso e por duas vezes; Taça de Portugal e no Futsal.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

39

O dia amanheceu com um sol radioso, temperatura amena para a época. Não era assim que sonhava o amanhecer hoje. Queria a bruma envolvendo a cidade, a cor cinza inundando os céus. E não é que pedi tanto, que as preces foram ouvidas? Já que hoje é dia de festa, dia de anos, ao menos que seja um dia como os que gosto. Gosto de ter a idade que tenho. Sorrio ao pensar que estou a ficar quase uma quarentinha toda jeitosa, eheheheh.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Enfeitiçada

Imagem retirada da net

Ténue é a linha que nos separa
Linha da vida e morte
Uns dias em desgraça
Outros de pouca sorte

Procuro um feitiço que me prenda
Eternamente ao teu ser
Eternamente em teus braços
E contigo renascer

Pelo mundo divago sozinha 
Na esperança que me encontres
Alumio a minha presença
Beberico em todas as fontes

Feitiço ou enfeitiçada
Nos teus braços me perder
Pensar em ti durante o dia
Ao teu lado adormecer

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Feliz Aniversário, Orquídea!

Imagem retirada da net

Mais um ano, mais um aniversário, pelos vistos o 4º.
Tantos sonhos, tantos desejos, tantas alegrias, tantas tristezas, tanto de mim, tanto da minha alma, do meu ser em muitos dos post's aqui escritos. 
Umas vezes mais assídua, outras mais distante, mas sempre com o pensamento aqui.
Gosto da minha casa e o que tenho feito com ela. O meu projecto!
Nada disto seria possível sem vocês, os que me seguem, os que vêm às vezes e mesmo os que vêm sem querer.
Parar? Nunca!
A escrita é a minha vida!
Por mais quatro ou quarenta, não sei! Apenas sei que agora estou aqui e quero continuar.
  

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Monotonias

Imagem retirada da net 

Mais uma noite mal dormida. A que agora termina deixou marcas profundas no corpo já cansado.
Refugio o meu ser pelos labirintos nocturnos que enaltecem a minha alma.
É pela noite dentro, na solidão do meu quarto, no refúgio que me aconchega, que liberto toda a minha essência. Desmascaro os meus desejos, os meus sonhos, a minha paixão.
Encontro uma manhã negra onde as nuvens despejam com toda a fúria, por momentos, as pequenas partículas suspensas na atmosfera.
Percorro as ruas desertas, onde o guarda-chuva é o meu abrigo. Por cada rua que passo, por cada porta, por cada janela, recordo os sorrisos, as faces que lá habitam ou que já habitaram. Faces que me têm marcado ao longo da minha vida.
Chego ao meu destino, ao sítio onde passo os meus dias, onde o meu corpo, o meu ser se limita a ser um mero objecto de trabalho.
Pela secretária acumulam-se resmas de documentos de um lado e do outro, sempre a mesma monotonia!
Quero fugir!
Quero correr!
O meu olhar desliza até à janela que se encontra aberta, deixando a aragem outonal entrar. Lá fora a chuva continua a marcar presença.
Lentamente a minha alma abandona o meu corpo, correndo para longe. Sinto a chuva molhar o meu rosto, sinto a aragem fresca da manhã. Vejo o verdejante manto que cobre as terras, as árvores que se despem a cada rabanada de vento, o riacho que corre mais forte após as primeiras chuvas. Ao longe, as vacas na sua monotonia.
O céu cinzento contrasta com o verde, os castanhos, os rubros, os vermelhos outonais. Uma paisagem magnífica.
Sorrio a cada passada dada, por cada músculo do meu corpo que se movimenta ora mais aparessado, ora mais lentamente.
As gotas que molham o meu rosto, começam a cair mais forte, acordando-me do pequeno sonho. A minha face encostada à janela, observa a paisagem lá fora. Era uma sonho!
Ajeito os óculos e dirigo-me para a papelada, embrenhando-me no trabalho. Uma folha, e outra, e outra até ao final do dia. 
Fisicamente aqui, fechado entre quatro paredes, mentalmente lá fora, correndo livremente pelo manto outonal.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Batimentos

Imagem retirada da net

Naquele tempo era o centro das atenções de toda a gente de casa, a sala onde era rei e senhor tinha sido decorada com o intuito de me proporcionar destaque supremo.
No dia da minha chegada houve um grande banquete de apresentação. Por mim deslizaram dezenas de dedos, uns mais delicados que outros, uns mais suaves. Os vestidos que roçavam pelos meus pés. Tanto cuidado,tanta atenção. Ao longe uns olhos curiosos. Aquele olhar não me largou desde a chegada. Quem será? Porque não me teria vindo tocar?
Silêncio. Nenhum som a não ser o vento lá fora, as folhas que dançavam, deslizando, voando numa tarde de Outono. Os dedos passam suavemente por todas as teclas, todas as 85 teclas recebem um pequeno toque como se de um acordar se tratasse. Todos os "dó", "ré", "mi", "fá", "sol", "lá", "si", entrelaçam-se entre os sustenidos e bemóis, vibrando cada corda no seu som. Sorrateiramente, o menino do olhar foi-se chegando. Um dia, quando não estava ninguém na sala, senti o seu toque. Os olhos sorriam a cada contacto. Mãos suaves, dedos pequenos, magros, mãos de anjo que me acariciavam delicadamente a cauda,as teclas. Momento mágico, único, só nosso. Durante anos, as visitas tornaram-se mais assíduas. Momentos íntimos, só nossos! Aos poucos, as mãos foram-se tornando maiores, mãos de homem, mas o toque continuava angelical. As flores que brotavam na primavera, o mar amarelo das searas no verão, as folhas caindo no outono, e a chuva intensa no inverno, não igualavam os nossos momentos dentro daquela sala. Alguns anos depois as visitas foram rareando. Pouco a pouco fui deixado ao abandono. A sala já não era arajada todos os dias, nenhuma companhia, nenhum dedos acariciando as teclas, passando suavemente por todo o meu ser, pela minha alma musical. Certo dia, um dia cinzento, chuvoso, ele voltou para mim. As mãos que me tocaram estavam rugosas, ásperas, a sua agilidade lenta. Pequenas gotas caíam por cima das teclas. Não era a chuva que teimava em cair fortemente lá fora, eram lágrimas, lágrimas de compaixão, de saudade, de dor. Lentamente, o corpo desfaleceu e tombou por cima das teclas. Recordei o suave contacto do primeiro dia, o toque das mãos de anjo que me tocaram tantos e tantos anos. A vida é feita de lembranças, e hoje, aqui, nesta sala onde as janelas por vezes estão fechadas, onde os sorrisos e o toque musical rareia, onde as estações passam devagar demais, fechei "os olhos" e recordei as mãos de anjo que por mim passaram e me marcaram.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Novidades regionais

E como uma novidade nunca vem só, cá vamos então!
Lembram-se da revista Plátano? A revista cá da minha terra, na qual participei com um conto? Sim?!
Lembram-se da entrevista que o Jornal cá da terra fez à minha singela pessoa? Sim?!
No final da entrevista estava um convite que resolvi aceitar. Uma colaboração com o jornal.
Pensei, pensei, pensei, no que poderia fazer pois não sou jornalista, e a colaboração tinha que ter algo escrito por mim, as minhas estórias, senão não fazia sentido.
Depois de muito pensar e do cheiro a fusível queimado, apresentei uma proposta que foi imediatamente aceite, o que me deixou feliz. Não posso ainda escrever sobre o assunto, mas está a dar-me muito prazer as investigações que já comecei a fazer.
Será depois aqui publicado o que irá sair no jornal. Não me esqueço dos meus primeiros leitores e muitos de vós, grandes impulsionadores da minha escrita.
Isto tudo para dizer que, por vezes irá passar algum tempo sem que aqui venha, mas não vos esqueço.
Até porque o Outono está a chegar e nunca se sabe de onde pode surgir a inspiração...



sábado, 12 de outubro de 2013

Momentos

Queria vir aqui mais vezes.
Queria poder dar asas à imaginação, e mesmo por pouco tempo, extravasar tudo o que capto nestas minhas viagens interiores. Pequenos nadas que muito me engrandecem.
É sempre bom regressar e encontrar a "minha Casa" tal e qual do jeito que a deixei.
O tempo fresco está a regressar e com ele, a manta pelas pernas no final da tarde, a chávena de chá, o casaco apertado. O cinza no céu, faz-me sorrir! A lua na fase certa! É fechar os olhos e deixar-me embalar.
Subitamente é um corropio de pensamentos, frases, momentos, paisagens tudo que aparece do nada, tentando passar e ultrapassar-se uns aos outros, como se fosse uma corrida, para saber qual o primeiro a chegar até mim.
Quando os olhos se abrem, o pensamento por vezes está um pouco confuso. Por vezes tento registar algum momento, frase, paisagem. Outras vezes vai-se sumindo tudo à medida que fico mais desperta.
Lá fora o vento sopra suavemente, fresco. O céu está negro. Ninguém na rua. Uma mágica noite de início de Outono, com tempo de Outono.
Vou dormir, pois uma das ideias apressadas da sesta, anda aqui às voltas, às voltas. Teima em sair a qualquer custo! 
Recosto-me suavemente, os olhos fecham-se devagar..............

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

José Luís Peixoto - assaltado e agredido em Bissau

O escritor português José Luís Peixoto foi assaltado e agredido numa das ruas de Bissau, capital da Guiné-Bissau, ao princípio da noite de domingo, contou à agência Lusa o autor, que sofreu um ferimento ligeiro no rosto. José Luís Peixoto encontra-se no país pela primeira vez, para participar em actividades literárias promovidas até sábado por uma associação cultural. O escritor foi abordado por um grupo de pessoas perto do local onde está alojado, no Bairro da Cooperação Portuguesa, à entrada de Bissau. Na altura, regressava a casa, a pé, depois de ter visitado o Mercado do Bandim, a maior área com bancas e comerciantes de rua da capital guineense. “Levaram-me o telemóvel que trazia na mão e tentaram tirar-me a carteira”, contou à agência Lusa. A carteira não saiu do bolso das calças, mas o escritor não evitou ser agredido com um murro na face, que lhe deixou uma cicatriz no nariz. Os agressores fugiram e o incidente foi hoje relatado à polícia local, referiu José Luís Peixoto. O escritor não tem esperança em recuperar o telemóvel e disse encarar a situação como um caso isolado. José Luís Peixoto foi vencedor do prémio literário José Saramago em 2001 e vencedor do prémio da Sociedade Portuguesa de Autores 2012, na categoria de poesia. (Agência Lusa) Um infeliz incidente! E logo ele que na sua página oficial do facebook foi publicitando esta visita e as várias actividades que ia desenvolver naquele país. Só lhe posso desejar as melhoras e que daqui a uns meses possamos ler este incidente contado como só ele sabe, enrolando-nos na sua fabulosa escrita.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Folhas...brancas

Observo a minha mão que segura uma caneta repousando sobre uma folha branca. Tão diferente da mão que pegava num lápis e fingia que escrevia estórias, enquanto a imaginação flutuava. Sonhava que um dia iria ter uma caneta como a do avô, ou mesmo até como a do senhor da mercearia. O desenho formado pelos meus dedos, finos, apoiados na folha branca, o polegar e o indicador segurando a caneta, era das mais belas pinturas que os meus olhos viam. Sonhava que iria ter uma lilás, como se isso fosse possível na altura, ou então uma pena preta e uma caixinha com tinta. Isso é que era! Um dia experimentei escrever com uma pena do galo que foi o jantar no dia antes e a graxa dos sapatos do avô. Não correu bem, mas naquele momento senti-me uma verdadeira escritora. Por vezes, quando a imaginação anda mais desvanecida, pego numa caneta e uma folha branca e lá deixo a mão repousar. Olho-a com o mesmo olhar infantil, aguardando. Por vezes, nem que seja uma simples frase, pequena, é escrita com tanta paixão. Lentamente a mão desliza de um lado para o outro, deixando atrás de si um rasto de letras, palavras, frases onde o sentimento de amor, paixão fica marcado. Não há paixão maior que escrever numa folha branca com uma caneta, como está a acontecer neste momento, e em quase todos os momentos da minha escrita, que começou com a observação da minha mão, de caneta em punho, repousada numa folha branca...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Olhares

Uma vez mais a cortina é fechada ao final do dia. É ali, que o meu olhar se despede de ti. Hoje fiquei mais um pouco contemplando o teu ser, a tua beleza. Sorrio, tentando imaginar o dia em que terei coragem de falar contigo, de ouvir a tua voz não a falar para outros, a tua voz a falar para mim, o teu olhar ver somente o meu, o teu sorriso ser somente para mim. Invisível. Toda a vida invisível num mundo repleto de gente. Todos os olhares, sorrisos, vozes atiradas contra mim. Quantas vezes passámos lado a lado, entrámos ao mesmo tempo pela mesma porta, e o meu coração batia tão forte que dava por mim a pensar que toda a gente o conseguiria ouvir bater, o rubor inundava a minha face, e tu, simplesmente passavas e nem me vias. É daqui, desta janela, escondida pela vegetação que o arco íris ilumina todos os meus dias. Quando chegas e colocas a pasta em cima da secretária, o casaco despido meio sem jeito e arrumado no bengaleiro; olhas em redor pela sala, até o olhar ficar preso na janela observando a mesma paisagem que eu; o dedo que carrega no play do computador; as moedas tiradas do bolso das calças para o café. Diriges-te para a porta e sais, deixando a sala de novo vazia, mas tão presente com o teu ser. Algum tempo depois volto a olhar e já te encontras sentado por vezes a escrever no computador, outras organizando documentação que te é solicitada. São poucas as vezes que olhas de novo cá para fora. Outras vezes tens reuniões infindáveis, com gente que muitas vezes deves achar aborrecidas, pois são tantas as vezes que olhas para o "nosso" jardim. É deste lado de cá que tanta vez falo contigo e imagino que também tu, falas comigo. Diálogos de palavras, frases, entoações que só nós entendemos. Lá fora, o Outono tem anunciado a sua chegada. O vento sopra forte, as nuvens vão escurecendo o céu, fazendo com que pequenas gotas saltitem por aqui e por ali, lavando o manto florestal, deixando o pequeno jardim ainda mais bonito. Olho para o céu e sorrio, uma noite de chuva. Fabuloso! Quando o olhar desce, encontra a tua sala escura, vazia. A beleza do Outono distraiu-me e hoje não me despedi de ti. A cortina desliza escurecendo a minha sala. Amanhã é um novo dia. Pego no casaco e percorro os vários corredores até à porta de saída. Pelo caminho o meu ser vagueia, pensando em ti, entristecendo-me. O olhar cabisbaixo, envergonhado segue o percurso rotineiro. Na mão as chaves de tanto telintar, escorregam e acabam por cair ao chão. Baixo-me um pouco para as apanhar, mas antes de mim, já outras mãos as apanharam. O olhar percorre o corpo que se encontra à minha frente, até encontrar a face e ali estás tu, sorrindo para mim. Nada consigo fazer ou dizer a não ser olhar. O teu rosto passa perto do meu, e os teus lábios sussuram ao meu ouvido "Até amanhã musa do meu jardim" e vais embora. Na manhã seguinte, ao correr a cortina, encontro um bilhete preso na janela. " Bom dia. Não te escondas mais atrás da janela". O meu olhar percorre o pequeno jardim até encontrar um olhar, um sorriso do outro lado, atrás do vidro.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Notícias!!!

A foto diz tudo!!
A Carlota está na capa!

domingo, 29 de setembro de 2013

Reeditado. Um dos primeiros poemas

Chegou em silêncio
Altiva e bom porte
Transforma tudo o que toca
Em desgraça e em morte

Transfigura-se em mil pessoas
Bela, sedutora e sarcástica
Eleva os braços além do tempo
A sua plenitude é mágica

Quem será que me atormenta
Com aspecto tão divino?
O meu corpo transforma-se
Que pensamento maligno

O fogo é o seu alimento
As cinzas a sua força
Transforma a vida num inferno
Oxalá ninguém nos ouça

Gritar não vale de nada
A sua presença é-nos imposta
Não vale a pena lutar
Por fim sossega. E depois cai morta!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Último brilho



O toque do telefone despertou-me de um sono profundo, sendo complicado distinguir entre o sonho e a realidade.
- Menina Matilde Lousada?
- Sim, sim sou eu. – a minha voz soou um pouco assustada.
- Fala o agente Pereira. Encontrámos a sua avó perto do ribeiro, de novo! – o tom de voz agravou-se na parte final da frase, fazendo-me temer o que diria a seguir. – Já é a quinta vez este mês. Se não tem condições, temos que…
- Vou já buscá-la!
Vesti a primeira camisola e par de calças que encontrei na roupa ainda por passar. Os turnos no hospital eram cada vez mais puxados e a casa de repouso onde ia fazer umas horas estavam a deixar-me cansada, esgotada. E depois havia a avó Juliana. Nos primeiros tempos que ficámos só as duas, tinha sida uma grande ajuda, o meu pilar, mas os últimos meses após a morte do avô tornaram-se complicados. Ao início eram as chaves esquecidas, o fogão ligado, esquecer-se de comer, mesmo até de tomar banho, até que os períodos de ausência começaram a ser cada vez mais longos. Não podia deixá-la num qualquer lar, era tudo o que tinha, tudo o que podia chamar de família.
Durante o caminho só pensei em qual seria o fascínio da minha avó por este ribeiro.
- Avó! De novo? Sou eu a Matilde.
- Minha senhora, estou à espera do meu amor. Marcámos um encontro aqui.
- Sim, sim, mas ele hoje não pode vir.
- Não pode? Mas ele disse que vinha!
- Ligou-me a dizer que tem que ficar para amanhã. Podemos ir embora, agora?
- Sim senhora pode ser.
Enquanto nos encaminhávamos para o carro, o agente Pereira veio ter connosco.
- Menina Matilde, temos que tomar providências.
- Eu sei senhor agente, mas não posso ficar sem a avó, ela é tudo o que tenho.
- Mas ela sozinha em casa também não pode ficar. Ou reduz o ritmo de trabalho ou encontra alguém para ficar com ela. – soou quase como uma obrigação, o que me deixou assustada.
- Eu sei. Obrigado pelo telefonema, e por favor não faça nenhuma participação, senão terei a visita da Assistente Social de novo.
- Fique descansada. Falei com o meu camarada e desta vez não haverá participação.
- Obrigado!
- Boa viagem!
Depois de sentar a avó, contornei o carro para me sentar quando senti que o agente Pereira me observava. Das poucas vezes que tínhamos falado pareceu simpático e bastante prestável, e muito bonito, mas definitivamente paixões era a última coisa que precisava no momento.
Quando me senti longe daquele lugar, segura no meu carro e perto da minha avó, as lágrimas caíam ininterruptamente. Sentia uma dor intensa dentro de mim. Mais uma vez não tinha conseguido tomar conta dela e estava a ficar sem muitas opções de escolha, assustada e com a possibilidade de poder ficar sem ela.
- Avó, tem que parar de fugir!
- Sim minha senhora. Não fugi, vim ter com o meu amor.
- Avó o avô já cá não está. Quando não estou em casa ou estou a descansar tem que ficar em casa.
- Uma menina tão bonita não merece chorar. Mal de amores?
- Avó…- preferi nem continuar a conversa. Sei que não ia dar em nada. Quando assim estava era deixá-la ficar com as suas histórias, com o seu amor e vê-la sorrir. Pelo menos naquele mundo só dela era feliz.

(continua)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Manto de Outono

A pouco e pouco a aragem fresca vai despertando do ardente sono dos últimos meses.
Pelo chão, as folhas secas vão-se amontoando ao sabor do vento, pequenos montes por aqui e ali, perdidos.
O Outono vai-se anunciando devagar, calmamente.
As manhãs, em que a bruma trespassa pela cidade, brinda o nosso olhar com o mais belo quadro.
É aqui, agora, que o meu ser rejuvenesce, se liberta da opressão em que se encontra.


domingo, 22 de setembro de 2013

Portalegre by night CITY TRAIL - a reportagem

Vamos lá a correr, para não chegar tarde. Dia, hora e sítio combinados.
Já no local combinado, um pouco antes da hora. A 1ª foto do dia. Os companheiros de aventura.
Acreditem, aquele placard tinha um íman! Estão a ver a serra ao fundo? Daqui a nada estamos lá mesmo no cimo, como não sei, mas hei-de lá chegar... a rastejar feita lagartixa. Não, cobra não! O veneno que deito não chega a ser mortal!
Ri-te, ri-te! Mais logo até chamas pela mãe, pelos santos e anjinhos que te consigas lembrar, e pelo caminho inventas alguns...
Já equipada e em andamento. Engraçado que não sei onde esta foto foi tirada. Pipe não é preciso ires a correr, nós vamos na caminhada!
A Natália, o Pipe, a mais gira, e o Duarte, um menino que conheci nessa noite e que foi o meu companheiro durante os 13km, nunca me deixou para trás, ou eu a ele, pois foi-me dito que ele levava as sandes de presunto.
Duarte, tens a certeza que não havia um elevador lá embaixo? Quantos degraus são? 500?1000? Ah são 2000, eu bem sabia que isto era moleza demais. Mas sinceramente não sei quantos são, mais de 100 são de certeza, e largos. Ai, pernocas, pernocas!
Depois da passagem pela igreja da Senhora da Penha, a subida até à cruz. Escuro, muito escuro. Subidas horríveis. A sorte era eu nem ver onde punha os pés e quais seriam os companheiros que rastejariam ao meu lado, eheh
A cereja no topo do bolo, neste caso serra. Não, não estava a chover. Pó, muito pó!
Com a cruz atrás de mim. Sentada num trono de pedra. A vista era magnífica. Não havia por ali muita "guerra dos tronos", era sentar, tirar foto e andar, eheheh.
A chegar de novo à Igreja. Se a subida custou a descida foi pior, e houve um singelo rastejo pelo chão para não cair e rebolar até cá a baixo. Ah e também houve chicoteamento nas pernas e pelos braços, havia quem disesse que era para fazer a depilação.
Água, a companhia ideal. Número 1!
Cunhada (anónima M.) com esta foto ainda nos convidam para ir trabalhar para as minas.
A última subida, finalmente! Ainda faltam o quê, 2km? Sempre a descer, fantástico!
De volta ao ponto de partida! Um grupo um pouco reduzido. Houve desistências pelo caminho, os veteranos da corrida já tinham chegado há muito tempo e alguns já tinham ido embora. Aqui muitos dos caminhantes, para alguns a primeira vez numa actividade desta, como foi o meu caso. Gostei muito. Foi cansativo, foram subidas duras, descidas acrobáticas, uma noite amena, em que houve entreajuda entre pessoas que nunca se tinham visto, incentivos, uma união em prol do desporto e do bem estar. "Os lobos" estão de Parabéns! E quero mais! Em Maio são 23km. Já estou a treinar, e quem sabe nessa altura não irei na fase da corrida, eheheh. Sonhos!!!!

domingo, 15 de setembro de 2013

"Bora" lá participar??

http://acportalegre.com/2013/09/11/20-as-20-portalegre-by-night-city-trail/

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O início da corrida

Dos 49 aos 54 segundos voou por ali uma Orquídea.eheh.

Quase, quase o Outono

Setembro chegou. Os dias ainda continuam quentes a contrastar com as noites cada vez mais frescas. As árvores de folha caduca começaram a perder o verde viçoso, e as primeiras pinceladas amareladas vão surgindo. Pelo chão, o manto já se faz notar. As primeiras chuvas também já apareceram, embora um pouco envergonhadas. Assim se faz notar o meu Amado Outono. Saudades...