quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Olhares

Uma vez mais a cortina é fechada ao final do dia. É ali, que o meu olhar se despede de ti. Hoje fiquei mais um pouco contemplando o teu ser, a tua beleza. Sorrio, tentando imaginar o dia em que terei coragem de falar contigo, de ouvir a tua voz não a falar para outros, a tua voz a falar para mim, o teu olhar ver somente o meu, o teu sorriso ser somente para mim. Invisível. Toda a vida invisível num mundo repleto de gente. Todos os olhares, sorrisos, vozes atiradas contra mim. Quantas vezes passámos lado a lado, entrámos ao mesmo tempo pela mesma porta, e o meu coração batia tão forte que dava por mim a pensar que toda a gente o conseguiria ouvir bater, o rubor inundava a minha face, e tu, simplesmente passavas e nem me vias. É daqui, desta janela, escondida pela vegetação que o arco íris ilumina todos os meus dias. Quando chegas e colocas a pasta em cima da secretária, o casaco despido meio sem jeito e arrumado no bengaleiro; olhas em redor pela sala, até o olhar ficar preso na janela observando a mesma paisagem que eu; o dedo que carrega no play do computador; as moedas tiradas do bolso das calças para o café. Diriges-te para a porta e sais, deixando a sala de novo vazia, mas tão presente com o teu ser. Algum tempo depois volto a olhar e já te encontras sentado por vezes a escrever no computador, outras organizando documentação que te é solicitada. São poucas as vezes que olhas de novo cá para fora. Outras vezes tens reuniões infindáveis, com gente que muitas vezes deves achar aborrecidas, pois são tantas as vezes que olhas para o "nosso" jardim. É deste lado de cá que tanta vez falo contigo e imagino que também tu, falas comigo. Diálogos de palavras, frases, entoações que só nós entendemos. Lá fora, o Outono tem anunciado a sua chegada. O vento sopra forte, as nuvens vão escurecendo o céu, fazendo com que pequenas gotas saltitem por aqui e por ali, lavando o manto florestal, deixando o pequeno jardim ainda mais bonito. Olho para o céu e sorrio, uma noite de chuva. Fabuloso! Quando o olhar desce, encontra a tua sala escura, vazia. A beleza do Outono distraiu-me e hoje não me despedi de ti. A cortina desliza escurecendo a minha sala. Amanhã é um novo dia. Pego no casaco e percorro os vários corredores até à porta de saída. Pelo caminho o meu ser vagueia, pensando em ti, entristecendo-me. O olhar cabisbaixo, envergonhado segue o percurso rotineiro. Na mão as chaves de tanto telintar, escorregam e acabam por cair ao chão. Baixo-me um pouco para as apanhar, mas antes de mim, já outras mãos as apanharam. O olhar percorre o corpo que se encontra à minha frente, até encontrar a face e ali estás tu, sorrindo para mim. Nada consigo fazer ou dizer a não ser olhar. O teu rosto passa perto do meu, e os teus lábios sussuram ao meu ouvido "Até amanhã musa do meu jardim" e vais embora. Na manhã seguinte, ao correr a cortina, encontro um bilhete preso na janela. " Bom dia. Não te escondas mais atrás da janela". O meu olhar percorre o pequeno jardim até encontrar um olhar, um sorriso do outro lado, atrás do vidro.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Notícias!!!

A foto diz tudo!!
A Carlota está na capa!

domingo, 29 de setembro de 2013

Reeditado. Um dos primeiros poemas

Chegou em silêncio
Altiva e bom porte
Transforma tudo o que toca
Em desgraça e em morte

Transfigura-se em mil pessoas
Bela, sedutora e sarcástica
Eleva os braços além do tempo
A sua plenitude é mágica

Quem será que me atormenta
Com aspecto tão divino?
O meu corpo transforma-se
Que pensamento maligno

O fogo é o seu alimento
As cinzas a sua força
Transforma a vida num inferno
Oxalá ninguém nos ouça

Gritar não vale de nada
A sua presença é-nos imposta
Não vale a pena lutar
Por fim sossega. E depois cai morta!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Último brilho



O toque do telefone despertou-me de um sono profundo, sendo complicado distinguir entre o sonho e a realidade.
- Menina Matilde Lousada?
- Sim, sim sou eu. – a minha voz soou um pouco assustada.
- Fala o agente Pereira. Encontrámos a sua avó perto do ribeiro, de novo! – o tom de voz agravou-se na parte final da frase, fazendo-me temer o que diria a seguir. – Já é a quinta vez este mês. Se não tem condições, temos que…
- Vou já buscá-la!
Vesti a primeira camisola e par de calças que encontrei na roupa ainda por passar. Os turnos no hospital eram cada vez mais puxados e a casa de repouso onde ia fazer umas horas estavam a deixar-me cansada, esgotada. E depois havia a avó Juliana. Nos primeiros tempos que ficámos só as duas, tinha sida uma grande ajuda, o meu pilar, mas os últimos meses após a morte do avô tornaram-se complicados. Ao início eram as chaves esquecidas, o fogão ligado, esquecer-se de comer, mesmo até de tomar banho, até que os períodos de ausência começaram a ser cada vez mais longos. Não podia deixá-la num qualquer lar, era tudo o que tinha, tudo o que podia chamar de família.
Durante o caminho só pensei em qual seria o fascínio da minha avó por este ribeiro.
- Avó! De novo? Sou eu a Matilde.
- Minha senhora, estou à espera do meu amor. Marcámos um encontro aqui.
- Sim, sim, mas ele hoje não pode vir.
- Não pode? Mas ele disse que vinha!
- Ligou-me a dizer que tem que ficar para amanhã. Podemos ir embora, agora?
- Sim senhora pode ser.
Enquanto nos encaminhávamos para o carro, o agente Pereira veio ter connosco.
- Menina Matilde, temos que tomar providências.
- Eu sei senhor agente, mas não posso ficar sem a avó, ela é tudo o que tenho.
- Mas ela sozinha em casa também não pode ficar. Ou reduz o ritmo de trabalho ou encontra alguém para ficar com ela. – soou quase como uma obrigação, o que me deixou assustada.
- Eu sei. Obrigado pelo telefonema, e por favor não faça nenhuma participação, senão terei a visita da Assistente Social de novo.
- Fique descansada. Falei com o meu camarada e desta vez não haverá participação.
- Obrigado!
- Boa viagem!
Depois de sentar a avó, contornei o carro para me sentar quando senti que o agente Pereira me observava. Das poucas vezes que tínhamos falado pareceu simpático e bastante prestável, e muito bonito, mas definitivamente paixões era a última coisa que precisava no momento.
Quando me senti longe daquele lugar, segura no meu carro e perto da minha avó, as lágrimas caíam ininterruptamente. Sentia uma dor intensa dentro de mim. Mais uma vez não tinha conseguido tomar conta dela e estava a ficar sem muitas opções de escolha, assustada e com a possibilidade de poder ficar sem ela.
- Avó, tem que parar de fugir!
- Sim minha senhora. Não fugi, vim ter com o meu amor.
- Avó o avô já cá não está. Quando não estou em casa ou estou a descansar tem que ficar em casa.
- Uma menina tão bonita não merece chorar. Mal de amores?
- Avó…- preferi nem continuar a conversa. Sei que não ia dar em nada. Quando assim estava era deixá-la ficar com as suas histórias, com o seu amor e vê-la sorrir. Pelo menos naquele mundo só dela era feliz.

(continua)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Manto de Outono

A pouco e pouco a aragem fresca vai despertando do ardente sono dos últimos meses.
Pelo chão, as folhas secas vão-se amontoando ao sabor do vento, pequenos montes por aqui e ali, perdidos.
O Outono vai-se anunciando devagar, calmamente.
As manhãs, em que a bruma trespassa pela cidade, brinda o nosso olhar com o mais belo quadro.
É aqui, agora, que o meu ser rejuvenesce, se liberta da opressão em que se encontra.


domingo, 22 de setembro de 2013

Portalegre by night CITY TRAIL - a reportagem

Vamos lá a correr, para não chegar tarde. Dia, hora e sítio combinados.
Já no local combinado, um pouco antes da hora. A 1ª foto do dia. Os companheiros de aventura.
Acreditem, aquele placard tinha um íman! Estão a ver a serra ao fundo? Daqui a nada estamos lá mesmo no cimo, como não sei, mas hei-de lá chegar... a rastejar feita lagartixa. Não, cobra não! O veneno que deito não chega a ser mortal!
Ri-te, ri-te! Mais logo até chamas pela mãe, pelos santos e anjinhos que te consigas lembrar, e pelo caminho inventas alguns...
Já equipada e em andamento. Engraçado que não sei onde esta foto foi tirada. Pipe não é preciso ires a correr, nós vamos na caminhada!
A Natália, o Pipe, a mais gira, e o Duarte, um menino que conheci nessa noite e que foi o meu companheiro durante os 13km, nunca me deixou para trás, ou eu a ele, pois foi-me dito que ele levava as sandes de presunto.
Duarte, tens a certeza que não havia um elevador lá embaixo? Quantos degraus são? 500?1000? Ah são 2000, eu bem sabia que isto era moleza demais. Mas sinceramente não sei quantos são, mais de 100 são de certeza, e largos. Ai, pernocas, pernocas!
Depois da passagem pela igreja da Senhora da Penha, a subida até à cruz. Escuro, muito escuro. Subidas horríveis. A sorte era eu nem ver onde punha os pés e quais seriam os companheiros que rastejariam ao meu lado, eheh
A cereja no topo do bolo, neste caso serra. Não, não estava a chover. Pó, muito pó!
Com a cruz atrás de mim. Sentada num trono de pedra. A vista era magnífica. Não havia por ali muita "guerra dos tronos", era sentar, tirar foto e andar, eheheh.
A chegar de novo à Igreja. Se a subida custou a descida foi pior, e houve um singelo rastejo pelo chão para não cair e rebolar até cá a baixo. Ah e também houve chicoteamento nas pernas e pelos braços, havia quem disesse que era para fazer a depilação.
Água, a companhia ideal. Número 1!
Cunhada (anónima M.) com esta foto ainda nos convidam para ir trabalhar para as minas.
A última subida, finalmente! Ainda faltam o quê, 2km? Sempre a descer, fantástico!
De volta ao ponto de partida! Um grupo um pouco reduzido. Houve desistências pelo caminho, os veteranos da corrida já tinham chegado há muito tempo e alguns já tinham ido embora. Aqui muitos dos caminhantes, para alguns a primeira vez numa actividade desta, como foi o meu caso. Gostei muito. Foi cansativo, foram subidas duras, descidas acrobáticas, uma noite amena, em que houve entreajuda entre pessoas que nunca se tinham visto, incentivos, uma união em prol do desporto e do bem estar. "Os lobos" estão de Parabéns! E quero mais! Em Maio são 23km. Já estou a treinar, e quem sabe nessa altura não irei na fase da corrida, eheheh. Sonhos!!!!

domingo, 15 de setembro de 2013

"Bora" lá participar??

http://acportalegre.com/2013/09/11/20-as-20-portalegre-by-night-city-trail/

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O início da corrida

Dos 49 aos 54 segundos voou por ali uma Orquídea.eheh.

Quase, quase o Outono

Setembro chegou. Os dias ainda continuam quentes a contrastar com as noites cada vez mais frescas. As árvores de folha caduca começaram a perder o verde viçoso, e as primeiras pinceladas amareladas vão surgindo. Pelo chão, o manto já se faz notar. As primeiras chuvas também já apareceram, embora um pouco envergonhadas. Assim se faz notar o meu Amado Outono. Saudades...

Viagens

Agora que as férias já passaram, e a Inspecção também já passou, vamos voltar (mais ou menos) regularmente à blogosfera. O bom de andar em transportes públicos é ficarmos a saber a vida de muita gente na cidade e arredores. Vocês sabiam que há um homem que "põe barriga" nas mulheres??!! Eu cá não quero chegar perto dele. Ando eu a correr todos os dias (novidade das férias), a manter a forma e depois vem um qualquer e põe-me uma barriga?? A "Manela" foi assaltada no túnel dos hipermercados, bateram-lhe, levaram 200€. "como é que ela tinha 200€?". Quer dizer não se importaram que ela tivesse levado uma sova, o importante é como é que ela tinha 200€. Ainda no fim de semana passei no túnel para ir às compras, mas não levava 200€. O "Jaquim" largou a mulher e juntou-se com a "Xica, aquela desenvergonhada do prédio da Jacinta, que se atirava aos homens todos." Ainda bem que não sou homem e nem sei quem é a "Xica". E isto tudo numa viagem de 20 minutos. Agora imaginem numa viagem de 1hora. Há gente que acorda com a corda toda.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A gozar o último dia de férias. Amanhã de volta ao trabalho. Aguarda-me uma inspecção de 3 dias ao serviço. Haja dureza!!!

sábado, 17 de agosto de 2013

Oficialmente de FÉRIAS!!!!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Tempestades

A porta encontra-se fechada. Sentada na poltrona velha, o meu olhar afasta-se suavemente pela fresta da janela. O tempo lá fora anuncia uma tempestade. O ar sufocante, foi substituído por uma aragem fresca, por vezes gélida. Gélida demais para a época. Aos poucos as nuvens circundam a casa, primeiro flocos de algodão, depois o pincel em tons rosa vai pincelando uma, e mais uma e mais uma, como se o seu toque as fosse desfazendo, sumindo no ar. O tom cinza pressagia um final funesto. Os raios começam a cintilar ao longe, chegando até mim o cheiro de terra molhada. Terra que se revolta no seu ser, lutando, batalhando por água. Brrr Brooomm!! o som trepidante ecoa por quilómetros. Pequenos animais fogem, escondendo-se, tentando abrigar-se do que está para chegar. Os pássaros voam voos rasantes, descoordenados pelo céu cada vez mais negro. As árvores, com os seus ramos, dançam apaixonadamente com o vento, que se vai tornando cada vez mais veloz, mais forte, mais intenso. Pequenas gotas começam por cair ao longe, pouco a pouco vão chegando até mim. O seu cheiro impregna-se no meu corpo, no meu ser, na minha alma. Perto, cada vez mais perto. Cintilam raios pelo negro céu. Raios que possantemente trespassam a terra que os tenta suster. O gotejar depressa passa a uma queda de água ensurdecedora. A janela entreabre-se ferozmente deixando o meu olhar presenciar a mais bela paisagem, dançando com o vento as árvores oscilam formando um bailado único, das mais negras nuvens a chuva cai intensamente e o céu cortado por raios luminosos. Bem no alto presenciando tudo, a lua começa a alongar o seu brilho por entre as nuvens. Encostada à janela, sorrio.

Quase....quase férias!

Já comecei tantas vezes este post e apaguei que daqui a pouco estou a receber um aviso do administrador do blog a ver se me despacho. "Miúda indecisa!" Estamos em Agosto, não é? É verão, não é? Então porque raio o manto outonal já marca presença? Em contagem decrescente para as merecidas férias. Mas só amanhã é que começo a contar, pois ainda me espera um dia de trabalho. Sábados em viagem pelo distrito, tanto posso ficar a 20km como a 80km de casa. Isto hoje não dá para mais.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Gosto de escrever

O olhar passa vezes sem conta sobre o teclado e por momentos "sai" pela janela tentando encontrar algo, alguém. Os dedos agitam-se num compasso apressado sobre o tampo da mesa. A madrugada brindou o meu ser com mágica bruma envolvendo a cidade. Não me recordo de um ano em que a bruma estivesse tão presente como este, ou então, dei mais vezes por ela. Gosto da bruma, gosto dos dias chuvosos, gosto do frio. Ah e gosto de escrever! Gosto de juntar letras, enredar palavras soltas e deixar as frases sobrevoar a minha mente até que as consiga passar para o papel. Gosto de ver a tinta preta, azul preencher o espaço branco, uma página, duas, três. Mas nem sempre é assim. Há dias, noites, em que nada sai. As letras sorriem ao fugir por entre folhas repletas de palavras repetidas. Vejo, releio breves apontamentos dos dias mais iluminados e aí sei que a inspiração virá!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Já não há canções de Amor?

"Já não há canções de Amor?" Como resposta ao desafio do blog "cronicasontherocks.blogspot.com/‎" aqui fica o meu devaneio. As doze badaladas tinham soado a alguns segundos, a boca cheia de passas de uva e o pensamento em hora de ponta com os desejos todos amontoados em grande confusão "1º saúde, 2º passar de ano, 3º um namorado, 4º um namorado.." e até ao 12º o namorado foi o pedido mais requisitado. As amigas já todas namoravam ou tinham um namorado, e ela, nem sabia o sabor, o desejo de um beijo. As estórias românticas eram as suas preferidas, e há noite, já deitada, era com príncipes, samurais, anjos que sonhava. Nas rádios da altura, passava o último albúm dos Scorpions "Crazy World" curiosamente lançado no dia do seu aniversário. "Send me an angel" passou a música preferida na altura. Os dias continuavam frios, chuvosos. Por vezes a amiga que lá ia a casa, brincar com a irmã, perguntava-lhe se não queria sair. "Sair com aquele tempo? Nem pensar!" Aborreceu-a sempre com a mesma conversa e lá combinaram ir beber café sexta à noite. Não sendo vaidosa, quando a noite se aproximou começou por ficar nervosa por não saber o que vestir. A amiga tinha-lhe confidenciado que tinha combinado encontrar-se com uns rapazes da rua. "Seria tarde demais para recusar o convite?". Ocupava este pensamento o seu íntimo, quando no rádio a música voltou a passar. Sorriu para o espelho e decidiu que iria conhecer rapazes. Os poucos metros entre a sua casa e o café foram passados com a tagarela da amiga a falar dos rapazes, em especial um rapaz. Ela gostava dele e quem sabe não começaria o namorico naquela mesma noite. Por momentos deixou de a ouvir. Só queria beber o café, fumar o seu cigarro, conhecer os rapazes e nunca mais sair com eles. Uma noite não ia fazer mal nenhum. Recordou-se do seu quarto, os posters colados pela parede, a sua música, os poucos livros e o caderno onde gostava de escrever. Antes de chegar à porta, a amiga olhou para ela e acenando com a cabeça, sorriu e indicou-lhe o caminho a seguir. Ao fundo do extenso corredor, encontrava-se o café. Mas naquele momento as paredes podiam desabar, o chão abrir fendas, que nada a iria fazer parar. O seu olhar encontrou outro olhar e ..." um dia será o pai dos meus filhos..." este pensamento chegou até si. "Vês, vês aquele rapaz ali, é dele que te falava." O coração parou de bater, as pernas tremiam, a cabeça parecia que ia andar à roda. "Não pode ser! Aquele não!". Depois das apresentações a curiosidade inicial sobre a sua pessoa, depressa passou. "Graças a Deus!" A noite passou normalmente e de vez enquando o olhar recaía sobre o rapaz de quem a amiga gostava. "Não pode ser, ela é tua amiga e chegou primeiro". Quando a noite acabou e se despediram, o beijo ficou gravado na sua face, o cheiro no seu ser, a imagem na sua alma. Nessa noite, já deitada, enrolada nos cobertores, ouviu a música uma vez mais e chorou. Chorou por ter perdido o seu Anjo. Passado 22 anos, o Anjo já não é tão anjo assim, tem cabelos brancos, engordou, é pai de dois filhos e vive cá em casa, eheheh

Estranhos

Olhava fixamente os olhos castanhos que estavam à minha frente. Um olhar castanho, cor de mel que me hipnotizava. Através deles encontrei uma alma solitária. Através dele revi a minha vida, presenciei o meu nascimento e todos os bons e maus momentos. Nada fazia sentido, nada fez sentido até agora, até aquele preciso momento. Frente a frente, os nossos corpos transmitiam entre si uma conexão invisível. Sentia a tua respiração bem perto, perto demais para um estranho. Serias um estranho?

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Outros Verões

Ainda sinto o cheiro entre o acre e o doce das margaridas ou malmequeres. Não sei muito bem como definir o seu odor. Os dias de verão eram passados a correr pelos campos, com flores a enfeitar os cabelos que se iam perdendo pelos constantes pulos. Não havia a "variante" nem os prédios na encosta. Começava a correr cá no cimo, perto do adro da igreja, acabando alguns metros abaixo, perto da casa abandonada, que ainda hoje lá está. Quando por ali corria, não tinha medo de cair, não tinha medo de me perder, não tinha medo dos animais que por ali pastavam ou mesmo aqueles que não via, mas que por ali andavam a ver de comida ou simplesmente passear como eu. Sentia o ar quente, sufocante bater no meu corpo, escaldando-o. Sentia a blusa, os calções colarem-se ao meu corpo, como se a transpiração fosse cola. O cabelo desalinhado voava ao sabor da corrida alguns dias, noutros ao sabor do pouco vento. Nos dias em que o vento Suão chegava, esses sim é que eram dias de grande calor, sufocante. Por vezes, parava a meio do caminho. Deitava-me no chão em cima das ervas amarelecidas pelo tempo seco, e rebolava, rebolava, até ficar enjoada. É que só me lembrava que ficaria enjoada, já depois de algumas voltas dadas. Quando assim era, regressava a casa com dificuldade, ter que subir aquela ribanceira que na altura me parecia enorme, mal disposta, com vontade de vomitar nao era das coisas mais agradáveis. Sempre tive medo da casa abandonada. Imaginava fantasmas que por ali deambulariam, acorrentados aos pilares da casa. Imaginava que fantasmagoricamente nos tentavam atrair até lá e que nunca mais de lá sairíamos. Imaginava que nas noites de inverno, geladas, chuvosas, com nevoeiro, pudessem sair, "voar" pela cidade, espreitando às janelas, assustando quem os visse, divertindo-os. Hoje gostaria de correr novamente como naquela altura. Ser livre!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

***** = códigos a mais!

Números e mais números, assim se resume o meu dia a dia de labuta. Códigos de entrada no computador + códigos dos dois programas em que trabalho + código do e-mail do serviço + código do e-mail particular + código + código = mais de 20 combinações numéricas em que mexo todos os dias. E logo eu que não gosto de números e sempre fugi deles, e acho que eles também fugiam de mim. Nunca fui boa aluna a matemática, embora no 9º ano tenha feito os testes de aptidão profissional os quais como resultado deram que tinha aptidão para números. Desconfiei logo desse resultado, como é que uma aluna com nota negativa a matemática, a sua aptidão profissional poderia passar pelos números??! Mas digo-vos que estava enganada. E descobri como?? Quando entrei no ensino superior já com 35 anos. Esbarrou comigo uma disciplina com muitos números. Pensei logo "Estou f.....!". Não, não é o que pensam! O que pensei foi "Estou FELIZZ!" eheheh. Venha lá a Contabilidade e seja o que Deus quiser. Como trabalhadora-estudante a presença nas aulas eram poucas e andava sempre a ver de colegas para me emprestarem os apontamentos. Não me ia safar! Mas para grande surpresa minha e nem eu sei como fui fazendo as frequências e a nota que começou num singelo 12 foram sempre subindo até chegar ao 18,5. Afinal sabia contar!!! E afinal o teste de aptidão sempre estava certo, eu e os números em paixão avassaladora. Mas a minha grande paixão, o meu grande amor são sem dúvida as letras. Gosto de me envolver no seu emaranhado, tecer uma palavra aqui, uma frase ali.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O senhor é "Escritor"?

Prometi a mim mesma que não iria escrever, dizer, comentar nada sobre uma reportagem que li, mas não aguentei. Fiquei tão triste com um senhor que é (?) escritor, que figura no 35º lugar no ranking de "escritor bestseller do 'The New York Times'", vendeu cerca de 985 mil livros no mundo e está editado em 33 países - segundo dados fornecidos pelo próprio. Na revista "Tentações" (segunda revista da Sábado)de 14 a 20 de Março, da página 30 à 32 está a entrevista feita ao sr. Luís Miguel Rocha autor de entre outros de "A Filha do Papa". Começo por dizer que nunca li nada do senhor, nem sabia quem era até ler a entrevista e acrescento que também não mereceu da minha parte investigação por saber algo mais sobre si. O meu "mestrado" em informática não me ensinou como colocar aqui a entrevista, mas se alguém me quiser ajudar agradeço. Pelo menos para ler e ficar com a vossa opinião. Gosto de brincar um pouco com as letras e palavras, umas vezes com mais inspiração, outras menos. Não me considero, nem de longe, uma escritora. Mas gente que se intitula de "escritor" dar a entrevista que deu, é muito triste.