Ergues possante o teu ser
Inebriando minha alma
Fortaleces, enfraquecendo-me
Tanto cuidado, tanta calma
Da escuridão, uma companhia
Transformando o meu ser
Pele rasgada ao emergir
pela ânsia de beber, por viver
Água! É tudo o que desejo
Apertada, lentamente sufocada
Marcado o meu corpo ressequido
Na terra renasci, abandonada
Troveja ao longe no firmamento
Mil raios faíscam pelo céu
Hum! Que cheiro a terra molhada
Cheiro forte, só meu!
Cheiro intenso que me enlouquece
Humidade envolvente, divina
Ouço a chuva ao longe
Imagino gotas cristalinas
A terra move-se intensamente
Numa luta furiosa
Castiga uma vez mais meu corpo
Debato-me no leito, formosa
Gota a gota vão caindo
perto, cada vez mais perto
Sinto-as passar a meu lado
Sinto meu corpo, liberto
Já não aguento mais.
Quero sair! Não pode tardar!
Meu corpo recebe furioso castigo
na luta, revoltosa. Tem que acabar!
A água chega enfim
Encharcando tudo ao passar
Para mim foi tarde o milagre
Desfaleci, sofri, acabou por me matar!