sexta-feira, 8 de junho de 2012

Festas, arraiais e festivais de Verão

Os arraiais dos Santos Populares.
Lá volto eu, de novo, à minha infância.
Na altura em que os vizinhos eram família, que as portas estavam dia e noite abertas, recordo umas das festividades que unia alguns vizinhos da Senhora Santa Ana.
Os preparativos começavam mais cedo para as poucas crianças que ali viviam, onde eu me incluía. Recortar folhas de papel dobradas a fazer desenhos engraçados que depois colávamos num cordel e pendurávmos no sítio onde seria a festa, varrer a rua das pedras e desejar que o dia chegasse era a nossa tarefa.
Eu levava os dias a pensar na festa, o que se iria passar, o que íamos comer, andava eufórica. Na altura as festas eram tão raras que uma preciosidade destas era para se aproveitar ao máximo.
No dia da festa, depois do horário de trabalho, os adultos cortavam alguns ramos da palmeira para enfeitar o "recinto" da festa, colocavam um fio de lâmpadas para iluminar ainda mais o recinto, colocavam o grelhador em sítio certo, as mulheres descascavam as batatas, arranjavam os pimentos para a assar e os tomates para a salada.
Nesta altura já andava "maluca" com a agitação, e por vezes só fazia disparates.
A aparelhagem já tocava as marchas populares.
Aos poucos os vizinhos iam aparecendo para confraternizar.
As mesas já estavam postas na rua, com toalhas de plástico, os copos, pratos e talheres de plástico, as saladas, e os mangericos a enfeitar.
No grelhador as sardinhas já pingam para as brasas. Humm que cheirinho tão bom! As batatas já estão cozidas e a caminho da mesa.
Chego perto da avó e digo que tenho fome. Ela pega num prato com batatas, coloca duas sardinhas, salada e tomate e pimentos, de seguida um copo de laranjada e vou colocar-me no sítio mais elevado que encontro para poder observar a festa no seu todo.
Por vezes esqueço-me de comer para observar a festa.
Vai anoitecendo, as luzes iluminam o cantinho da festa que está bem animada, com dança, cantigas e acima de tudo confraternização entre vizinhos. Até há uma fogueira!
A avó diz que é tarde que tenho que me ir deitar, faço uma pequena birra para ficar, mas mesmo assim ela não deixa.
Já na cama, imagino o que se passará lá fora. As luzes iluminam o quarto, o cheiro das sardinhas a assar deixa-me com água na boca, o som das músicas populares entra pelo quarto embalando-me até o sono chegar.

Era assim há muitos anos atrás.
Hoje em dia a vizinhança envelheceu, outros morreram e as crianças que davam alegria aquele casario de pouco mais de 10 casas foram morar para outro lado, cresceram, casaram.
Quando chega esta altura lembro-me com saudade destas festas.

A minha bebida preferida no Verão

Uma limonada, com limões acabados de colher da árvore.
Uma sangria, bem fresquinha, numa noite bem estrelada.
Mas o que sabe mesmo bem, é um copo de água bem fresquinho pela manhã.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Tristeza

Hoje estou triste.
Como se fosse um sorriso capaz de apagar a tristeza que o meu corpo assola, que o meu corpo devora.
Por vezes, muitas vezes até, dou por mim a pensar no dia de amanhã. Naqueles dias que espero que cheguem bem distantes daquele em que me encontro.
Não sei, como ninguém sabe, se chegarei ao amanhã. Pelo menos mentalmente capaz de me lembrar da minha infância, da minha adolescência, das coisas boas que a vida me enviou, assim como das quedas que dei, e das cais aprendi grandes lições de vida.
Fui uma criança feliz, com o pouco que tinha de posses e de bens materiais, mas com uma imaginação fértil, graças aos muitos livros, colectâneas, enciclopédias que li.
Nos dias de hoje a internet é uma grande ajuda em algumas coisas, mas por vezes faz-me falta o papel, o folhear dos livros antigos, o seu cheiro, a sua rugosidade.
Há alguns anos, vivia ansiosa com o dia a dia, o stress do trabalho, a competividade profissional. Era em casa, na calma e paz do meu lar, que me refugiava. A companhia da família, um bom livro e uma chávena de chá fazia maravilhas. 
Hoje em dia vivo um dia da cada vez, não vale a pena projectar nas nuvens o futuro que se sabe incerto. A minha "preocupação" é o chegar um dia, se Deus quiser, a uma belíssima cota para aí de oitenta e muitos anos e saber o que vivi, lembrar-me das pessoas que passaram pela minha vida e que foram deixando marcas. Sim aquelas marcas, das quais muitas mulheres fogem, e as quais eu não me importo de ostentar. Algumas já vão aparecendo, e quando à noite me vejo ao espelho, sei o nome de cada uma delas (o meu avôzinho Porfírio, a Raquel, a avó Teresa, o meu pai José - os que já partiram; o Diogo e a Salomé - filhos, o meu marido e a restante família, a Cristina, a D. Isabel, a Anónima Marisa, o Anónimo Luís, a MJFalcão, o Manuel Poppe; e aqueles Amigos sem presença física mas pelos quais o meu coração e o meu pensamento está sempre presente, o Compadre Mar do Poeta, as minhas Princesas Cozinheiras e todos os restantes amigos que tenho encontrado pelo blogue).
De menina tímida e envergonhada, saiu uma mulher forte, extrovertida em certos momentos, pois por vezes a timidez ainda se lembra de mepregar partidas.
O dia aqui por Portalegre tem sido triste e não vale a pena falar no assunto que todos já sabem pelas notícias. Sim eram pessoas conhecidas, uma das quais trabalhava na mesma instituição que eu, e o sobrevivente meu cabeleireiro.
Por agora continuo triste.
Amanhã um novo dia. O sol irá aparecer e aquecer a minha alma.

O meu calçado de verão


Sandálias! E mais sandálias!
Adoro estas com correntes, faz o meu género, eheheh
As unhas pintadas também, como sempre é a mana que as pinta pois não tenho jeito.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Revista Plátano - nº5


Há momentos recheados de história, de imagens que nos fazem "viver" a vida antiga na nossa cidade.
Digo "nossa" pois os quase 30 anos que cá vivo já me fazem viver Portalegre como se fosse minha de nascimento. Pelo menos meia-costela é!
A revista "Plátano - Revista de Arte e Crítica de Portalegre" veio ter às minhas mãos por acaso. Nunca tinha ouvido falar dela. Depois de a abrir e ler algumas páginas, e até mesmo pesquisar na internet, visitar blogues, percebi que afinal esta é uma aventura cultural que viu a luz do dia pela primeira vez, numa frondosa Primavera de 2005.
É uma revista cultural, na qual se escreve sobre a nossa cultura, a cultura dos Lagóias.
São tantas as histórias escritas que "devorei" a revista ontem ao serão.
O Outono de 2005 viu o n.2 que fez do Poeta José Duro sua capa. Em sua companhia encontrava-se também José Rodrigues Eustáquio (por mim, menos conhecido, mas não esquecido).
Na Primavera de 2006, volta nova edição, com o desporto em destaque, no 80º aniversário do 1º derby portalegrense - Sport Club Estrela - Grupo Desportivo Portalegrense.
Um interregno de mais de dois anos, faz voltar a revista no Outono de 2008.
E em 2012, no dia em que se comemorou o dia da cidade de Portalegre, o n.5 está na rua.
Pela minha parte, pelo menos as pessoas do serviço, já a ficaram a conhecer e algumas gostaram do que viram.
Gostaria de dar os parabéns a todos os que nela participam, mas infelizmente conheço só dois ou três de nome e de vista.
Foi bom conhecer Portalegre, as suas histórias e as suas gentes que já por cá andaram.

Um segredo de Verão

O que se pode contar dos segredos? Pois se são segredos, não se conta nada!
Um segredo de verão!
Pode ser de verão, outono ou até mesmo inverno. É segredo e é só meu!
Se tenho um segredo de verão? Não. Tenho um segredo do ano inteiro.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O que não gosto no Verão

Aqueles dias em que anda tudo de manga curta e eu como sou friorenta, ando de casaco.
Noites tão quentes que mais parece que estamos no deserto a meio do dia.
Ar Condicionado com a temperatura igual à do Polo Norte.
Programar uma ida à praia, e ao fim de 200Km chegamos para um dia de praia e temos que ficar enfiados dentro do carro pois não pára de chover.
A famosa dor de garganta ao fim da 1ª bebida gelada ou o 1º gelado.
A vontade louca dos mosquitos, melgas e afins pelo meu sangue.

Escondido

Pôr do sol - Portalegre - 01/06/2012

O dia despede-se angelicalmente.
Nem uma presença de ti.
Nem uma presença minha.
Mais logo a noite chega, e aí, como todas as noites, encontramos-nos.
Irradia a luz, fazendo adivinhar o brilho do nosso encontro.
Por mais belo que seja o pôr do sol, é pela noite que anseio a chegada, é na noite que presencio a mais bela das cores.
Que pintor celestial tem o poder de pintar tão bela tela, tão bela peça de arte?
Escondido, aguardando a noite, vais vigiando os meus passos, o meu rumo. Rumo esse, que se encaminha para ti.

domingo, 3 de junho de 2012

O que não pode faltar no meu Verão

Uma bela sardinhada como a de ontem!

O Verão numa Cor


Amarelo.
Amarelo, como as searas que o vento faz bailar pelos campos do meu Alentejo.
Amarelo, como o sol escaldante que queima as peles mais desprotegidas.
Amarelo, como os malmequeres que pintam os campos.
Mas também há o azul cinza que faz da noite, a mais linda cor da paleta celestial.

Fotos tiradas ontem

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Verão da minha Infância


Que sensação estranha ao acordar.
Como que por magia, a responsabilidade, a pressa, a pressão do trabalho, passaram.
A vontade de correr, pular, gritar, rodopiar, subir às árvores, enfim, brincar, voltou!
O cheiro das giestas que circundam Portalegre, dos malmequeres, das papoilas já não me fazem mal.
Visto uma roupa qualquer e saío para a rua. O tanque de lavar roupa, no quintal da avó está cheio de água. Mergulho os meus braços nele, chegando a água quase ao pescoço, eheh, molhei as mangas da t-shirt, aiai. Não faz mal, enxuga ao ar. Vejo o meu rosto no reflexo da água, sorrio, os meus olhos sorriem.
Subo as escadas e corro pela rua abaixo aos pontapés às pedras, a passar as mãos pelas paredes caiadas de branco. "Carla, não faças isso que sujas as paredes às vizinhas!" - parece que ouço a minha avó gritar ao longe.
Perto da casa do sr. Salgueiro, páro. Tenho medo dos cães que por vezes ali andam e que já correram atrás de mim dezenas de vezes. O quintal da vizinha Domingas, mais propriamente a terra perto das roseiras tem sido a minha safa, quando ao fugir deles lá aterro. Nenhum! Podemos seguir!
Chego perto da casa da Adélia. A porta aberta de par em par para deixar entrar o fresco da manhã. Cheira a sabão da roupa lavada que se encontra no alguidar para estender. Entro.
-Bom dia!
-Olha a Carlota Pires Dacosta! Logo de manhã, por aqui? (Agora já sabem de onde vem o nome)
-Vou brincar para o adro.
-Queres pão com manteiga?
-Sim pode ser. E com açucar também!
Hum, que vontade de comer pão com manteiga e açucar, neste momento. Cada dentada no pão, lambuça a minha boca de manteiga, que tento lamber até ao último pedaço.
Sorrio e volto de novo ao meu caminho.
Se a avó sabe que comi, de novo na casa da Adélia, ralha comigo. Mas não faz mal, eu como lá todos os dias e ela muitas vezes não sabe, pois a Adélia é minha amiga e já me disse que não lhe conta. O pior é a vizinha, a Diamantina que tem o quintal que dá para casa da minha avó. Quando sabe que estou na casa da Adélia, está sempre a gritar para a minha avó: "Oh Zé, a tua neta está de novo a comer na casa da Adélia!"- Não gosto da Diamantina, tem ar de bruxa, e deve ser mesmo, pois quando os nossos olhos se encontram fico doente, por isso fujo dela.
O adro da igreja da Senhora Santa Ana.
Dois terraços em terra batida com oliveiras, dois muros - o primeiro circunda a igreja e um mais largo que circunda este e que dá para a estrada, com uma altura de três metros.
A avó diz que é perigoso, mas eu gosto de brincar ali. Dá para jogar à bola, ao berlinde, fazer casinhas, subir às árvores, ou simplesmente estar sentada a ver quem passa, ou olhar lá longe a Serra da Penha, a Igreja da Sé, a Estação, ou o horizonte a perder de vista.
Subo para a minha "nave" e hoje é dia de defender a minha tripulação. Só acabo a "minha" guerra quando ouço a minha avó a chamar-me. Salto para o chão e corro até casa. Subo o muro que passa pela horta da Igreja e corro até uma encosta que me leva perto de casa. Quando a avó chama, é para ir rápido, por isso vou a corta-mato.
-Vou à cidade, queres vir?
A "cidade" fica a 200metros do sítio onde me encontro, mas a escassez de casas nesse caminho faz parecer que estou looonge da cidade.
Depressa lavo a cara, as mãos, penteio-me, visto outra camisa e lá vou eu.Ai, os livros da biblioteca! Pego na sacola e lá vou eu com a minha avó. Sinto-me importante quando vou com a minha avó à cidade. Ela conhece toda a gente, e toda a gente me fala também. Mas acompanhar a minha avó parece uma corrida de Fórmula 1, ela não anda, ela voa.
Passamos pela Câmara Municipal. Vou ver se o meu avô lá está para lhe dar um beijinho. Quando lá vou, falo também aos colegas dele.
-Aqui vem a minha Carla com os seus livros. Gosta muito de ler. Um dia, ainda escreve um livro! Tem mãos de habilidosa, dedos esguios. - e lá mostro eu, pela milésima vez as mãos. "Que sorte tê-las lavado!"
Quando dali saío, sigo para a biblioteca. Hoje não devo demorar muito, a D. Emília já me guardou o livro que quero. Não devia ser assim, mas ela guarda-me alguns livros que sabe que gosto, pois sabe que os trato sempre bem e por isso me faz estes miminhos.
O caminho para casa já é feito com a sacola dos livros a tira colo e os sacos das compras nas mãos. A avó não carrega muito os sacos, mas eu gosto de a ajudar.
Já não penso em mais nada a não ser, estar deitada, debaixo da videira, sentir o sol passar por entre as folhas, um copo de groselha ao meu lado para ir bebendo, ou uma taça de cerejas, e deixar a minha imaginação voar com a heroína da história.
Quando está mais calor, às vezes deixo-me dormir a ler o livro. Acordo quando tem que ser ou com alguma formiga a picar-me.
Quando a noite chega, já tenho o livro lido. Estou cansada!
Já deitada, sinto o calor entrar pela janela, os grilos a cantar, o céu estrelado e fecho os olhos.
Que bom ser criança, de novo!!


Esta história faz parte do passatempo do blog "A Turista Acidental".
Serve também para lembrar mais um Dia da Criança. A criança que eu fui, o recordar um dos muitos dias da minha infância, dos muitos dias de Verão que passava em casa, em Portalegre.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Metade do meu Coração em festa

Hoje metade do meu coração faz 4 anos.
A metade que dá descanso quando dorme, mas que vive em arritmia desenfreada quando está acordada.
Deu luta a nascer, mas os médicos foram mais fortes e toca de o tirar cá para fora, numa cesariana às 2h da manhã, em que o tema de conversa era o Glorioso.
Esta metade já passou por algumas contrariedades clínicas mas tem-se saído bem. É o meu forte!
Parabéns Diogo!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Também quero transformar-me em MAX

Este é o novo cartaz dos gelados da Olá para 2012.
O novo gelado Crystal do Max foi a preferência do D. ontem à tarde. Só depois dele o comer, percebi porquê.
-Mãe já me trasformei? Vês os meus olhos e o cabelo a transformar-se??
-Que grande Max que tu estás! (o que poderia eu dizer?)
Deixei a magia acontecer. Tem tempo para viver a realidade do dia a dia.
-Mas não podes comer muitos, pois não quero que fiques Max para sempre, quero o meu filho de volta.
-Só vou comer pouquinhos.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pássaro Ferido

Sou um pássaro ferido
Perdido,
Pelos seus abandonado
Desgovernado,
Inquieto na alma
Calma,
Suspiro por paixão
Perdão,
Doído no ferimento
Isolamento,
No chão me restabeleço
Adormeço,
Contigo sonho
Risonho,
Uma calma serena
Pequena,
Terei morrido?
Ou simplesmente Adormecido??

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Descalça

Ando descalça,
Por caminhos
Incertos
Desertos
Escondidos
Perdidos
Tempestuosos
Fogosos

Ando descalça,
Pelas nuvens
Algodão
Paixão
Macia
Alegria
Sorrir
Atrair

Ando descalça!

Compras na Secção Infantil

Não sou muito consumista no que toca à compra de roupa, sapatos e acessórios.
Para mim, qualquer trapinho serve, desde que não esteja esfarrapado ou sujo. Alguma da roupa que visto têm mais que 12 anos e estão óptimas, parecem novas.
No calçado passa-se o mesmo e nos acessórios, não sei, pois não tenho hábito de os usar.
Há dias, por acaso fui comprar uns ténis para o verão. Comecei por visualizar a secção dos adultos, masculinos, femininos e acabei por comprar uns na secção infantil.
Quem me manda ter pézinho de princesa com o singelo 34/35???
Mas o mais engraçado, foi o olhar "admirado" do rapazito que se encontrava ao lado.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

De volta!

De volta ao trabalho!
Já estava com saudades, mas também não valia a pena demonstrarem que sentiram a minha falta assim desta maneira. É que para ver se não estava já destreinada, apareceram 25 pardais mais 2 fugitivas.
Uma manhã preenchida.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Prémio

Verita e Manuela. já chegou!!!
Agora é guardar um fim de semana ou duas noites para ler as 543 páginas!!!
Obrigado de novo às duas.

Após uma semana de férias, mais uma de assistência à família, estava eu a preparar-me para voltar ao trabalho no dia 22, quando na madrugada de 21 para 22 ficou tudo doente em casa. Dores de garganta, ranhosos, faltas de ar, bem, houve de tudo um pouco.
Hoje aproveitámos o feríado municipal para descansar e amanhã tudo de volta à rotina.
Até amanhã!

sábado, 19 de maio de 2012

Silêncio da noite

É no silêncio da noite que te procuro
É no silêncio da noite que te amo
Descubro a magia do teu corpo
No prazer, é por ti que chamo

Bom fim de semana


quinta-feira, 17 de maio de 2012

HEAVEN & EARTH (Oliver Stone, 1993) - Trailer

As Maias

Foto retirada da net
Com a chegada do mês de Maio, as crianças correm pelos campos que circundam a cidade à procura de malmequeres para se enfeitarem como as meninas das fotos.
Uma tradição que tem décadas.
Nunca fui uma "Maia" e com muita pena. Quando era mais nova, só haviam rapazes perto de onde eu morava e as meninas da escola nunca me escolheram para fazer parte do "grupo" delas.
Às escondidas, ia pelos campos apanhar flores e à tardinha em casa da minha avó, na "minha praia" fazia colares, pulseiras, coroas, vestia uma saia comprida da minha mãe e imaginava que era uma "maia".
Cantava a canção da Maia:
"Oh Maia, Oh Maia
Oh Maia das cachopas
Onde vai a Maia
vai por essas barrocas ..."

Foto retirada da net
Anos mais tarde, os meninos também começaram por participar no desfile.

Tudo isto fazia parte dos festejos do dia da cidade a 23 de Maio.
Conta a lenda que:

"Era uma vez uma pastora chamada Maia que passava os seus dias alegremente, a guardar o rebanho nas margens de um ribeiro.
Era muito bonita, formosa e serena e um pastor chamado Tobias, muito bondoso, gostava muito dela e fazia-lhe companhia, tocando flauta.
Certo dia apareceu-lhes de repente um vagabundo que os assustou. Tobias escondeu-se atrás de um rochedo, mas Maia, hospitaleiramente, pegou na sua cabaça, encheu-a no ribeiro e ofereceu-a a Dolme. Era assim que se chamava o vagabundo, que era muito mau. Este deixou cair a cabaça de propósito e agarrou Maia com força que desatou a chamar por Tobias.
Tobias veio logo em seu auxílio para a defender do vagabundo, mas como não estava habituado a lutar, foi morto com um machado de pedra.
Maia, quando viu Tobias morto ficou apavorada e quis fugir, mas o vagabundo apanhou-a e acabou por tirar-lhe também a vida. Depois, só com as ovelhas ruminando à volta, Dolme desatou a fugir por esses outeiros fora e desapareceu na tarde.
O pai de Maia, que era Lísias, vendo que se fazia noite e a filha não chegava com o rebanho, decidiu procurá-la. Não a encontrando, regressou a casa, triste e desolado. Depois foi ao Templo que tinha mandado edificar em honra de seu pai - Baco – e orou para que nada de mal tivesse acontecido a Maia. Nessa altura, o cão que acompanhava o rebanho de Maia, uivou e ajudou-o a encontrar o corpo da filha.
Ficou como um louco com a tristeza e dor que sentia e, durante anos, ninguém o conseguiu afastar daquele local, acocorado e murmurando o nome de Maia. Os que passavam naquele ribeiro a beber um golo de água fresca, chamavam-lhe “Louco de Baco”  porque ele não queria acreditar que a filha morrera.
Certo dia, porém, pareceu ao velho que Maia lhe aparecia, viva e alegre. Levantou-se a custo, estendeu os braços e iluminado de alegria íntima exclamou:
“Maia, minha filha, morro feliz!”" 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

As Amantes do Verão


E já cá está o selo da inscrição.
Não sou bem uma amante do verão, prefiro mais o Outono, mas vamos ver o que isto vai dar e espero não "morrer" logo na praia ou "afogada" na primeira onda.
Parabéns "Turista Acidental" por esta iniciativa.
Agora é aguardar.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Cozinha dos Vurdóns: Um convite à Utopia

Como não podia deixar de ser, não recuso um convite feito pelas minhas belas Princesas Cozinheiras.
"Combater O Crime do Ódio com Poesia".
Não sei muito bem se é isto que elas querem, mas cá vai a minha poesia. Não quero falar da parte má, da parte que a maioria de nós quer ver, pois há tanto de bom, que se deixarmos a nossa porta aberta, entram de uma maneira que nunca pensámos que fosse possível. E descobrimos coisas lindíssimas.
Cá vai.
Espera! Outra explicação. A poesia tem o cunho da Orquídea, por isso não irá sair coisa boa, eheh.
Vamos lá então!

Era noite e adormeci
Na lua e nas Estrelas ficou o pensamento
Deixei a minha alma voar
Senti próximo um nascimento

A um acampamento fui ter
Senti que já lá tinha estado
Ninguém deu pela minha presença
Ninguém me terá notado?

Uma fogueira no meio
Em volta um Vurdón, lindo!
É aconchegante este espaço
Tudo me estava atraindo

Com cores garridas nos fatos
Mulheres dançavam, sorriam
Tachos. Frutas, legumes
Alimentos que floriam

Crianças corriam
Numa alegria contagiante
Dá vontade ser criança, de novo
Viver esta vida saltitante

Homens tocando instrumentos
Som de música inebriante
Uma presença chama a minha atenção
Uma Estrela, cintilante.

O seu olhar é penetrante
O único que me consegue ver
Conheço este olhar
Uma calma, paz, invade o meu ser

Os seus passo vêm ao encontro dos meus
Deixa o meu corpo preso ao chão
Os seus olhos observam-me por dentro
Sinto o começo de algo, sinto um turbilhão

Passa por mim, rodeando o meu corpo
Ficando imóvel atrás de mim
Os seus braços envolvem o meu ser
No ar um odor a jasmim

Os seus lábios tocam o meu pescoço
Não consigo um só passo dar
Extansiando um perfume o meu ser
Fecho os olhos, não quero acordar!

Um violino toca ao longe
Não sei quanto tempo assim fiquei
Ainda sinto o seu cheiro
Abri os olhos, não o encontrei

Uma criança chega perto
Convida-me para comer
Faço parte das suas vidas
Só demorei a perceber

Serei esta, o EU verdadeiro?
Ou aquela que anda adormecida?
Ter mil vidas numa só
Ou só uma, eternamente vivida?

Quantas vezes fugimos do diferente?
Quantas vezes fugimos do inexplicável?
Com as Princesas Cozinheiras, muito tenho aprendido
Uma Cozinha bastante saudável.

sábado, 12 de maio de 2012

A operação do D.

Só passei para dizer que a operação do D. correu bem.
O mais complicado foi a recusa de comida a uma criança com 3 anos, habituada a comer praticamente o dia inteiro. "Oh senhora, então o meu almoço!" "Mãe, as senhoras passam e não trazem a comida!"
Perto das 15h entrou para o bloco operatório e saiu de lá já as 17h tinham dado. Uma longa espera, sufocante. Acho que fiz a meia maratona no pequeno corredor em frente.
Levou algum tempo a acordar. E quando acordou ficou calminho, a olhar para todos os lados, mas já lá estava a mãe e o pai, e a mana.
Agora é aguentar em casa até dia 21 (dia em que volta ao médico para tirar os pontos) um puto reguila, que corre e pula por tudo quanto é sítio, quer jogar à bola e fazer tudo o que faz normalmente.
Assim começaram as minhas férias, que se irão estender até dia 21 com o apoio à família.
O meu menino portou-se muito bem. Um verdadeiro herói. Saiu do hospital no dia da operação, a correr. O resto vocês imaginam, sempre a correr atrás dele...

domingo, 6 de maio de 2012

Um Delírio XXVII

Já nada fazia sentido.
A morte de Ana Maria foi um golpe terrível. Bem pior que estar no meio da mata.
Os dias, as noites já não faziam sentido. Nem matar ou mesmo até morrer.
Não me tinham deixado regressar a Portugal para acompanhar o corpo, "Porra!" tinha sido a mim que ela tinha dito as últimas palavras. Fiquei só. Já não me sentia assim a algum tempo.
Numa noite de vigia, o calor era enorme. O espesso arvoredo envolvente, não deixava o ar passar, a humidade no ar era grande, quase não conseguia respirar. O suor fazia o fardamento colar-se ao corpo. A lua cheia, deixava um mar de prata invadir o acampamento. Lá em baixo alguns camaradas fumavam e bebiam Cucas e Nocais. Aquela seria uma camaradagem que ficaria para toda a vida. Para a vida daqueles que dali conseguiriam sair.
Dava por mim a pensar que já não me importava morrer.
A PIDE já não fazia tantas visitas. Acho que tinham percebido que se tinham enganado ou então teriam arranjado outro pobre desgraçado para dar cabo da vida.
Nas noites de vigia, dava muitas vezes por mim a pensar no riacho perto de casa, nos meus pais. Será que eles sabiam por onde andava? Por mais forte que o meu desejo fosse vê-los, não sei se isso algum dia chegaria a acontecer.
Subitamente tiros. De onde? Como? A noite estava tão iluminada. Não tinha visto vultos nenhuns a passar perto do aquartelamento. Mesmo dos postos de vigia perto, nada viram. Agora era defender a "nossa casa", defender os nossos camaradas, os nossos amigos.
Fechei os olhos. No meu íntimo vi um olhar de uma criança, sorria. "Dispara! Dispara, agora!"
Sem saber disparei ao acaso. Os olhos continuavam fechados. Ouvia o som à esquerda e disparava. Ouvia atrás de mim, voltava-me e disparava. Os minutos seguintes foram intensos em tiroteio. Ouviam-se gritos, gemidos. Havia camaradas feridos. Tinha que os tentar defender de onde estava.
Silêncio!
O tiroteio parou. Abri os olhos e a imagem desapareceu. Deixei de ouvir a sua voz. Terei sonhado?
Ao descer do posto de vigia, encontrei camaradas feridos, por alguns já nada havia a fazer. Tentei ajudar quem podia. Uns gritavam com dores, outros com medo, outros simplesmente porque era uma maneira de libertar a raiva.
Amanhecia.
Uma manhã manchada de sangue.

Para todas as MÃES




Dia da Mãe


Estes são os protagonistas por festejar este dia.
As prendas são da autoria do Diogo que as fez na escola.
Estou bem bonita no quadro que ele pintou.
A Salomé ofereceu um beijinho.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dia de cortar cabelo

Hoje é dia de ir cortar o cabelo.
Só lá me apanham duas ou três vezes por ano, e mesmo assim é um dia complicado.
Primeiro, o corte. Continuo com ele grande (como está na foto) ou corto bem curtinho como gosto??
Cabelo fininho, sem volume. O jeito para o arranjar também não é nenhum, por isso sempre os cortes curtos que é só lavar e deixar andar, nem escova chega a ver.
Já andei a ver alguns pela net, e os que me agradam têm muita manutenção de manhã, o que para mim é um pesadelo. Se ao menos tivesse uma cabeleireira todas as manhãs em casa, isso é que era.
A seguir, a cor. Tenho uma madeixa natural de cabelos brancos, mesmo à frente, na franja. Acho sexy, eheh. No início ainda pintei o cabelo algumas vezes, sempre de vermelho. Mas depois tinha que fazer a manutenção por causa dos castanhos naturais, e desisti.
Não tenho paciência para conversas de "tias" no cabeleireiro.
Está a chegar a hora! Vamos ver se me inspiro pelo caminho.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Prémio

O livro que ganhei no concurso da D. Manuela no blogue "A Turista Acidental".
Das únicas três vezes que concorri ganhei sempre algo.
A 1ª um livro.
A 2ª uma história minha escolhida para figurar numa colectânea.
A 3ª outro livro.
Hoje irei dormir a sorrir. Depois, terei o Morpheu à perna a pensar que estou encantada por ele.

domingo, 29 de abril de 2012

Ilumina-me

Salvador Dali


Quando o quarto minguante 
lá do alto vai rompendo 
Deixa o ceu envolto em prata
Um raio de luz vai nascendo

Movo montanhas, serras e penhascos
Na busca incessante do teu ser
Perco-me, sozinha na noite
No frio procuro me aquecer

A noite continua o meu refúgio
É nela que me sinto segura
Quantos olhos observam
no seu olhar, mais uma criatura

Ouço a tua voz chamar por mim
Ao longe contemplo simples luminosidade
É a chama do Amor
Que nos envolve pela imortalidade 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Já vou.

O fim de tarde, fresco para a época, foi brindado com chuva. Uma chuva miudinha que quase não se via, mas sentia-se.
Pela encosta, o nevoeiro descia, uma vez mais, para cobrir a cidade com o seu manto protector. Protecção pelos seus moradores, pelo seu casario, pelas suas plantas. Gostava de tocar cada um de forma especial. Era através dele que os olhos se abriam mais para tentar ver mais longe. Era através dele que as casas sentiam o suave toque que teimava em bater uns dias mais forte que outros, tentando entrar. E depois afasta-se a sorrir, enquanto as portas, janelas, paredes e telhas, se ajustavam de novo. As plantas, essas sorriam pelas pequenas gotas que a terra sugava, fazendo-as chegar bem perto das suas raízes, fortalecendo-as.
Era na noite que as almas mais sonhadoras, viajavam pelo mundo.
O nevoeiro por vezes, corria atrás delas. Tentava protegê-las, fazendo com que chegassem seguras ao corpo despojado na cama, no sofá.
Será hoje um dia de fuga? Será que irei longe?
Hoje sei, que a viagem será certamente bem acompanhada.
Alguém espera por mim.
"-Já vou, não demoro quase nada! É só o tempo de desligar o pc, e os olhos se fechar."

Osso de leão

Estamos sempre a aprender com os filhos, e é bem verdade.
O D. vai ser operado no dia 10 de Maio em Montemor-o-Novo aos polegares.
Curioso como é, ouviu a explicação que o médico nos deu, do que lhe ia acontecer e é engraçado ouvi-lo dizer:
-"O doutor vai cortar os meus dedos, tira o osso estragado e põe um osso de leão!"
-"De leão? De leão não, filho!"
-"Do leão, que é o rei da selva, e o mais forte."
Pronto e eu calei-me.
Será as influências leoninas do avô J??

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia Mundial do Livro

Hoje é o Dia Mundial do Livro.
Nos dias que correm, praticamente todos os dias, é dia nacional, internacional, mundial de qualquer coisa. Uns mais importantes que outros, mas o que importa é serem recordados, nem que seja uma vez por ano.
Gosto muito de livros, do cheiro que eles têm. O encanto que é pegar um livro novo, vê-lo, cheirá-lo, senti-lo. Sentir todas as suas arestas, todas as suas folhas, a capa. Com os livros velhos, o encanto é outro. Tentar imaginar que pessoas já pegaram neles, que pensamentos terão tido ao ler as suas folhas.
Não tenho tantos como gostaria.
Já me enviaram endereços de sites de partilhas de livros, mas sou muito egoista com o os meus livros. Talvez por serem poucos e realmente meus, tenho-lhes uma paixão imensa. Sou incapaz de me separar deles.


Este é o livro da minha vida, eheh.
Já o li e reli, dezenas de vezes.
É muito velhinho. A edição que tenho data de 1956, as páginas são cozidas com linha, as suas folhas estão num tom amarelo escuro. A capa, agora, está forrada por papel para não se danificar. Um dia emprestei-o e quando o devolveram vinha com as capas soltas. Em casa, sozinha, sem ninguém ver, até chorei. Jurei nunca mais emprestar livros.
A história, bem a história só podia ser romântica, triste, sofrida.









Tenho outros livros preferidos.
E sou daquelas leitoras, que, quando um livro me fascina, sou capaz de passar uma noite inteira a ler, e muitas das vezes só reparar nas horas quando o despertador toca para supostamente me levantar para ir trabalhar.
O 1º livro que li?


Foi este, "roubado" da prateleira do tio F.
Tantas horas passadas, no quintal dos avós, debaixo da videira a ler. Nos dias mais frios, à janela da sala, a ver a paisagem alentejana a perder de vista.
Muitas vezes a biblioteca, primeiro no Palácio Amarelo, depois no antigo quartel dos Bombeiros perto da Sé Catedral, posteriormente no Convento de Santa Clara foram a minha casa de leitura, a minha distração durante longas tardes.
Muitas vezes levava-os para casa, e como os tratava muito bem (até tinha uma sacola de pano onde os transportava, pois o suor das mãos podia estragá-los), deixavam-me levar mais do que o permitido. No dia seguinte ia sempre entregar um.
Quantas vezes dei por mim a copiar pequenos excertos de livros que gostava. Na altura as fotocópias eram caras e o dinheiro não abundava.
Gosto de me ver rodeada de livros.
Na mesinha de cabeceira, estão sempre dois. Quando as noites são propícias a insónias e a inspiração para a escrita anda pelas ruas da amargura, pego num livro e leio, mesmo que seja pela centésima vez. eheh.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Amor

Mors-Amor

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a Morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"

                            Antero de Quental

Chamam-me "nomes"

Não me basta ser conhecida pela "menina do sangue", como qualquer dia passar a ser conhecida, também, pela "Carlota caça-mortos".

Aulas de Inglês

Um conselho de uma ruim cabeça.
Quando estiverem a ver o emblemático concerto dos Queen em Wembley em 1986, quando Freddie Mercury interage com o público e no fim volta-se para a plateia e diz um espectacular "Fuck you" , aconselho-vos a não ver essa parte com crianças de 3 anos.
Para além de imitar o Brian May a tocar guitarra foi a única palavra que ficou a conhecer em todo o concerto.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Eu e as manicures

Como menina que sou, deveria ser mais prendada para as artes de pintura, manicure, cabeleireiro.
Pois mas a verdade é que não sou.
O cabelo sempre curto ou despenteado tem razão de ser. Não é moda, é porque não o sei arranjar.
Só uso lápis preto nos olhos e baton para o cieiro, pois o eyeliner quando o experimentei colocar parecia a subida para a Serra da Estrela com tanta curva, e o baton mais parecia que me tinha esborrachado em alguma árvore.
Isto sem falar nas mãos (garças a Deus que a mana é manicure), pois quando as visitas não são muito assíduas e tenho que as arranjar, é cada unha do seu tamanho, e quando passa para a pintura, até o D. as consegue pintar melhor que eu.
Ainda este fim de semana a mana pintou-me as unhas de roxo. Ontem ao fazer a limpeza da Primavera no serviço, lasquei três unhas. Feita esperta hoje de manhã, pintei por cima. ERRO!!! Deveria ter tirado primeiro o verniz e voltar a pintar. Hoje tenho umas pinturas rupestres nas unhas.
Acho que devo ter faltado às sessões que as mães, avós, tias dão às meninas "casadoiras".
Ahh já sei onde andava. Numa biblioteca próxima à cata de mais um livro para "devorar"!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Viagem Atribulada

A manhã de sábado encontrava-se ventosa e bastante chuvosa.
Dia de levantar cedíssimo para ir trabalhar.
Estava um dia de Inverno, bastante frio.
Cheguei ao serviço toda molhada, pois com a chuva batida a vento, não havia guarda-chuva que me tapasse.
A viagem era curta, pouco mais de 25km. A 3km do destino começa a cheirar a queimado, o motorista pára o veículo, abre o capot e era só fumo, fumo a sair.
Saímos para a berma da estrada e por incrível que pareça, os 20 minutos que ficámos à espera que nos viessem buscar, com uma carrinha parada com o logotipo do Hospital, não parou ninguém para ver se precisávamos de ajuda. NINGUÉM!!
Estivemos à chuva, ao frio.
Só consegui aquecer-me já em casa, depois de tomar um belo banho e beber um griponal para o caso de o bichinho gripal querer entrar em briga com o meu fraquito organismo.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Primavera envergonhada

O azul celeste deu lugar a um cinza esbranquiçado, que por vezes fica de um negro tenebroso.
O vento acompanha a mudança das cores na paleta da natureza. Acho até que estas pequenas alterações são feitas por tal senhor. Inspira e o cinza tenbroso aparece, expira e o cinza esbranquiçado segue pelo horizonte.
As árvores essas dançam ao suave toque ventanoso.
Por vezes umas pingas teimam em cair meio envergonhadas.
Tem sido assim o dia de Primavera, o dia de aniversário do avô mais querido e do qual sinto tantas saudades, um dia de azar/sorte por aqui terras do Alto Alentejo, mais propriamente Portalegre.

Balanço do 2º Período Escolar

Comecemos então pelo pior.
O D. é uma fera. Ele distribui "amizade" tanto pelos maiores que ele, como pelos mais pequenos. Muito democrático.
Por outro lado já gosta da oposição. "Gostaram da História?" "Sim!!" respondem os colegas. O D. responde "Não!!".
Não gosta de misturas nas brincadeiras, quando é para se divertir, afasta os colegas de todas as maneiras possíveis e impossíveis até ficar sozinho na brincadeira.
Por outro lado, é o 1º a chegar quando é necessário arrumar a sala, ajudar a professora nas mais diversas tarefas e é muito mimoso.
Tenho que dizer que o D. tem 3 anos e é menino.
Ele é muito jogo de futebol, corridas no pátio, fazer de bombeiro a apagar um fogo com a mangueira de regar as plantas ligada e a correr para cima dele, é Gormitis, Bakugans, Bocas, Scooby Doo (esta é a recente paixão), touradas, e tratar dos animais da quinta em casa dos tios.
Tem energia para dar e vender e nem parece que fez um cateterismo cardíaco com 1 mês de vida.
Por outro lado temos a princesa da casa.
A A.S. (12 anos), calma, traquinas dentro do normal, sorridente, dançarina.
Já anda no 6º ano, e teve umas notas excelentes.
Língua Portuguesa - 4;
Inglês - 3;
História e Geografia de Portugal - 5;
Matemática - 4;
Ciências da Naturza - 4;
Educação Visual e Tecnológica - 5;
Educação Física - 4;
Educação Musical - 5
Desde o 1º ano que é uma excelente aluna. Só às vezes a conversa nas aulas, as sms, os piropos dos meninos é que estragam tudo. Não é por ser minha filha, mas é muito bonita (não sai à mâe).
Ah o pirata também é muito bonito, mas esse é mais parecido com a mãe.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Unidos

Quantos dias já passaram?
Quantas noites?
Unidos até ao último suspiro. Unidos numa busca incessante da eternidade onde possamos viver o nosso desejo, o nosso amor.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Limpezas de Primavera

Todos os anos a mesma situação.
Chega a Primavera, os dias ficam maiores, a temperatura fica mais agradável, embora este ano até o Inverno tenha tido temperatura agradável.
No serviço há ficheiros de registos de dadores desde que o Hospital abriu, quer isto dizer 37 anos. A maioria consta no chamado ficheiro geral, que se sub-divide nos ficheiros do presente ano, o ano anterior e os dos concelhos. Um pouco confuso, mas que facilita a vida a quem está no terreno. Sim ainda trabalhamos com uma ficha de cartolina onde se registam as dádivas dos dadores e acreditem que funciona melhor que os cartões tipo multibanco, onde a maioria das vezes não conseguimos registar a dádiva.
Olha, a menina Carlota, como se não tivesse sarna para se coçar, inventou de fazer uma limpeza ao ficheiro. Tudo o que tem mais de 65 anos (idade limite para se poder dar sangue) saí, e dentro desses ir em busca dos falecidos.
E começamos na letra A.
Vai dar trabalho, mas em menos de três meses espero ter o ficheiro em ordem e com menos 500 fichas ou mais no ficheiro geral.
Isto é mesmo de quem não tem nada para fazer. Até parece!!!
Com a vinda dos pardais, desde Fevereiro que as terças e as quintas feiras são bem movimentadas. Para quem ainda não sabe, os pardais, são os meninos que estão na escola da GNR, sim os futuros agentes da autoridade que irão para a rua, lá para final do ano, para nos defender, dizem eles e pensamos nós.
Desde que aqui estou neste serviço (3 anos) tem sido o pior grupo de todos. Muito mariquinhas, desmaiam por causa de uma agulha, ai ai o que nos espera.
E por falar em limpezas de Primavera, hoje está frio e a chover, eheh.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Boas Notícias

Não posso deixar de dar esta novidade aos meus leitores, seguidores e afins.
Há mais ou menos dois meses, recebi um comentário no meu blogue, que não era mais do que um convite para escrever uma história em 2-3 folhas, e enviar por e-mail.
No início duvidei um pouco, publiquei o comentário e não liguei muito.
As minhas Princesas Cozinheiras, enviaram logo um e-mail a perguntar o que estava à espera para concorrer. O Anónimo Luís também perguntou o que estava à espera.
Decidida a escrever, faltava a história. Mas ainda tinha mais de 20 dias para a escrever. Inspiração zero, não saía nada, o tempo a ficar mais curto e nada.
Esqueci um pouco o assunto e uma noite em que o Morpheu andava longe, comecei a escrever. Mostrei à Anónima Marisa e ela achou a primeira parte espectacular, mas o resto uma desgraça. Pensei desistir.
Mas a seis dias do prazo estipulado para a entrega do conto, mandei o Morpheu pastar e passei uma noite a escrever o que foi enviado a essas três pessoas que me incentivaram a escrever e depois do veredicto final, enviei o conto "O Anjo".
Passado quase 15 dias da entrega, hoje por volta das 14:00h recebo um e-mail a dizer que o conto foi seleccionado para fazer parte de uma Colectânea.
Como não sei se posso adiantar mais alguma coisa, só quero dizer que fui seleccionada!!!
Foi a 1ª vez que concorri.

Lampião

Lisboa, 5 de Abril, 5:00h
Os benfiquistas apoiam o seu clube em mais uma chegada ao aeroporto.

Lisboa, 6 de Abril
Durante o voo da Ucrânia para Portugal, ouvem-se os adeptos leoninos a cantar "..ainda bem que não nasci lampião.." e " e quem não salta é lampião, olé, olé".
Verifico que nós Benfiquistas, somos mesmo uma grande nação, um grande clube, pois os outros até nas vitórias pessoais, se lembram de nós. Mais, nem sabiam fazer a festa se nós não existíssemos.

Cuidado com o que desejas

Não bastava ter dormido mal de noite, ter acordado às 6:00h da manhã para ir trabalhar, senão ainda levar com utentes armados ao pingarelho.
Por alguns defeitos que os colegas de trabalho possa ter, são nossos colegas e como sempre, armada em Madre Teresa de Calcutá, lá fui, mais uma vez, em defesa do médico com quem trabalho.
Não gosto de homens com a mania que são engraçados e que por terem uma farda, ou pistola (eheheh) são superiores aos outros.
De facto o senhor em questão não é um Adónis, mas é preocupado com os dadores, embora eles não reconheçam isso.
Entra o dito cujo, pelo serviço sem dizer bom dia. Pensei "Já começámos mal!".
"- Hoje há colheitas?"
"-Sim."
"-Ainda é o mesmo médico que aí está?"
"-Sim."
"-Quando é que se livram dessa peça?"
"-Desculpe!"
"-Sim, o médico que aí têm."
"-Peço imensa desculpa mas não estou a entender o que o senhor está a dizer. Está a falar do Dr. J, que por acaso é médico e director deste serviço?"
"- Esse mesmo."
"-Não sei o que o senhor quer dizer. Às vezes é mais a fama que o proveito. Embora só aqui esteja, neste serviço há 3 anos, conheço o dr. há 12 anos e até agora nunca tive razão de queixa dele. Acabou com alguns vícios que os dadores tinham e ainda bem, por isso é que não gostam dele..."
"-Não sou obrigado a gostar."
"-Pois não, e eu também não sou obrigada a gostar de si, e estou aqui a atendê-lo atenciosamente, com um sorriso."
Sei que o senhor em questão podia fazer uma participação, mas acho que não fui mal educada, nem malcriada, atendendo às questões colocadas pelo dador.
Quando ele se dirigiu à parte de enfermagem, desejei tanta coisa ruim para o dito senhor, que não é que teve que ser picado mais do que uma vez, e mesmo assim, não conseguiu terminar a dádiva.
É que já não é a 1ª vez que isto me acontece, eheheh
Para a próxima tenho que ter mais cuidado com o que desejo.

domingo, 8 de abril de 2012

Sombreado


Quantas sombras serão precisas para ensombrar o meu ser?
Quantas manchas a marcar os meus dias?

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Páscoa Feliz

A todos quantos me visitam desejo uma Santa Páscoa.
O bolo finto do Alentejo, foi criação do marido.
O ovo pintado foi criação minha, só podia!!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Orgulho em ser Benfiquista

O meu Benfica perdeu, mas atenção perdeu dignamente e nunca, nas duas mãos, baixou a cara à superioridade monetária vigente. Sim, temos que falar em superioridade monetária, pois se assim não fosse, os dois árbitros e os fiscais de linha respectivos teriam "visto" os dois jogos com outros olhos.
Chegámos a Stamford Bridge com uma equipa desfalcada. A ausência do "patrão" Luisão, obrigou Jesus a colocar à frente da baliza Benfiquista Emerson e Javi Garcia. Ora o meu Javi pujante como é, já se antevia que iria distribuir cacetada e os "blues" iriam aproveitar a deixa para sacar um penalti, que aconteceu logo aos 20 minutos, pois o sr. Skomina "viu" bem o lance, pena ter falhado em tantos outros que seriam decisivos para o meu Glorioso.
Tanto cartão amarelo para os meus meninos, em sete minutos e por protestos!! Oh sr. Skomina tenha vergonha! À conta disso, Maxi Pereira foi expulso aos 40 minutos, pois já tinha levado a cartolina amarela no lance do penalti. Saiu triste. Gostei de ver o David Luiz a "consolar" o antigo companheiro de campo. Foi bonito de se ver.
Mas adiante que não sou jornalista desportiva.
Gostei da exibição do meu Glorioso, mesmo a jogar com 10 jogadores durante toda a segunda parte, mostrámos a nossa raça, e os "blues" bem tremeram algumas vezes. E mesmo quando Javi Garcia subiu bem alto e cabeceou a bola. Cech foi batido nas alturas!
Aqui o sonho reavivou-se. Ainda seria possível conseguir passar, mas o tempo não estava a nosso favor.
Gostei de ver a prestação do Yannick Djaló (sim, sei que escrevi um post a reclamar com o meu Jesus por ter feito tal contratação). O pequenino assustou o gigante Cech!
Mas o pesadelo estava para chegar e através de um português. Raul Meireles depois de roubar a bola a Aimar, remata e acaba com o sonho. Logo um português? Logo o Meireles?
Jogamos de forma soberba, mesmo com a equipa a meio gás, e a jogar com 10 mais de metade do jogo, fizemos uma exibição magnífica e mostrámos que não somos movidos a dinheiro. Não ganhámos à custa dos dólares de alguém.
Não bastou a 1ª mão, pois também nesta fomos roubados.
Fala-se tanto do Chelsea, mas afinal somos melhores que eles, que só nos ganharam com a ajuda do 12º jogador.
Só pedia ao sr. Michel Platini que não deixe passar este caso em vão, que dê credibilidade à queixa que o meu Glorioso vai apresentar. Por isso se ouviam ontem os adeptos benfiquistas a gritar o seu nome.
Orgulhosa em ser BENFIQUISTA!!!!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Em estágio (BENFICA!!!!!!!)

Prestes a entrar em estágio para o grande jogo, hoje às 19:45h.
Stamford Bridge será o palco do acontecimento.
Partimos em desvantagem, mas não está nada perdido.
O sr. Abramovich diz que dá 50 mil euros a cada jogador se passar à fase seguinte. Acho que hoje até os vemos a comer a relva.
Estou confiante no meu Benfica, mas ter que arranjar dois centrais até à hora do jogo, só com passe de magia.
Mas essas tácticas de treinadora, deixo para o profissional Jesus.
É sair do serviço, ir buscar o filho à pré-escola, ir para casa, jantar à hora do lanche, e às 19:45h a família em frente ao televisor para ver o Benfica.
Groselha e pipocas para aliviar o stress. Só espero não ficar com nenhuma pipoca atravessada no gargantil, eheheheheheh

terça-feira, 3 de abril de 2012

We Are Young ft. Janelle Monáe [OFFICIAL VIDEO]




Uma "descoberta" da Vanda Miranda da Rádio Comercial, que gosto.

domingo, 1 de abril de 2012

Um Delírio XXVI

NOTA: Peço desculpa aos leitores assíduos do "Delírios" por esta demora. Foi o capítulo mais dificil de escrever, pois estou a falar duma situação na qual não vivi, situações pelas quais não passei, e sendo uma situação real, não podia inventar. O resto é o delírio da minha alma.

(Continuação)
Ficou um calor intenso depois da tempestade. Um calor sufocante, que dificultava a respiração.
Fomos encaminhados para uns jipes. Por nós passavam dezenas de militares que tinham acabado a "comissão".
"-Vamos a despachar seus merdas! Agora é que vão ver o que é o inferno!"
Comentários que faziam voltar o meu olhar. Para que inferno me tinham enviado? Eu não pedi para vir para aqui. Os sorrisos estridentes, o olhar vazio, uma loucura o que nos aguardava. Por nós passavam jovens, muitos já nem sabiam o que ali estavam a fazer, feridos, muitos feridos. Esta imagem da nossa chegada, acompanhou-me durante meses.
Os Unimog iriam fazer o transporte em várias fases, pois cada um só levaria 11 homens de cada vez. Isso dar-me-ia alguma margem de manobra para ir ao "encontro". Teria que arranjar uma maneira de escapar sem Ana Maria dar por isso.
"-Que calor!"
"-Um calor insuportável, nada como em Lisboa."
"-Ana, queres água? Espera aí um pouco que já volto." E antes que ela dissesse algo, dei meia volta e segui.
Cheguei perto de um militar, e após lhe mostrar o envelope que me tinham entregue, ele mesmo fez questão de me levar à dita morada.
Poucos minutos de conversa foram os suficientes para entender que a minha "missão " em Angola era vigiar Ana Maria. Todas as semanas alguém iria ter comigo e teria que dar todas as informações do que ela tinha feito, com quem tinha falado.Enfim iria ser um "bufo".
As primeiras semanas passaram depressa, o nosso aquartelamento ficava na parte norte de Angola. Uma terra árida, vermelha, um calor intenso. Os tempos que não eram passados na actividade operacional, eram os mais livres, arranjar os telhados de zinco, as casernas, fazer fornos de pão, a aperfeiçoar os abrigos subterrâneos. Até aí as desconhecidas artes de engenharia eram postas à prova por vários soldados. Algumas vezes aplicavam-se algumas das técnicas aprendidas com os locais para fabrico de tijolos de adobe, tectos de colmo. Uma vez até de uma caixa velha de madeira, se fez uma câmara de televisão que deu para "filmar" um jogo de futebol e algumas reportagens para os familiares em Portugal. Pena ser tudo a fingir, mas deu para passar o tempo. Um dos momentos mais aguardados era a chegada do correio. Dezenas, centenas de soldados ansiosos por saber notícias de casa, outros para receber os aerogramas das "moças casadoiras". Havia quem tivesse duas ou mais, assim como os fieis com a moça do aerograma que diziam eles que era para casar. De vez em vez, Ana Maria recebia notícias da mãe. Nesses momentos, vinha chamar-me para lermos a carta juntos. Como ninguém me escrevia, este era o momento que mesmo sabendo que a carta era para ela, também eu a tinha como se fosse só para mim. O que eu desejava receber notícias dos meus pais, de alguém que escrevesse só para mim, só a pensar em mim.
Os momentos de combate eram os mais complicados.
Nunca tinha passado pela IAO (Intrução de Aperfeiçoamento Operacional), por isso tinha aprendido por mim a proteger a minha vida, a proteger a vida de Ana Maria. Era enfermeira, mas por vezes, rebelde como sempre fora, queria ir na coluna na picada. O pó que ficava a cada passagem dos veículos na época seca. Eram horas passadas na coluna, era aí que as conversas mais íntimas se faziam com o camarada do lado, se sabia o que se tinha deixado para trás. Era também nessas alturas que aconteciam emboscadas.
"-Ana, já cá estamos à quanto tempo?"
"-Quinze meses. Conto todos os dias e no fim agradeço a Deus o termos sobrevivido."
"-Olha que eu tenho visto a maneira como o Rodrigues olha para ti."
"-Estás armado em pai?" e deu uma gargalhada enorme."-Não te preocupes, sei cuidar de mim."
"-Calem-se!"
Ficámos em alerta, os nossos olhos, o nosso corpo, a G3, voltavam-se em todas as direcções. Saltámos do jipe e fomos seguindo, olhando em todas as direcções. Um primeiro rebentamento de mina, fez-nos deitar ao chão, de seguida, soaram rajadas de tiros de todas as direcções. Arrastámo-nos pelo chão, tentando encontrar algo que nos abrigasse. Ana Maria seguia a meu lado, o seu olhar denotava medo. 
"-Tenho que ver se alguém precisa de ajuda."
"-Agora não! Fica a meu lado! É uma ordem!"
Quando chegámos perto da mata que nos circundava, os tiros pareceram acalmar. Ouvia-se gemidos, gritos de dor. Eram homens, soldados, camaradas, amigos nossos que ali estavam. Com a vida suspensa e nós sem podermos fazer nada. Do sítio onde estávamos, vimos um camarada. Estava imóvel, não sabia se estava morto, se estava vivo. Rastejámos mais um pouco até chegar a ele. Já nada havia a fazer!
Comecei a chorar. Não era a primeira vez que chorava em alturas de emboscadas. Sim tinha medo! Quem não tinha? Olhei para Ana Maria. Também ela chorava. Pressentimos que alguma coisa má estaria prestes a acontecer. Senti a mão de Ana segurar a minha, fortemente.
"-José, irei amar-te sempre!"
"-Ana, também te amo!"
Ela chegou perto de mim, beijou-me. Correspondi. Era um beijo! Mas um beijo que de verdadeiro amor nada tinha. Um amor de amizade que sempre sentimos um pelo outro.
Ao longe ouvia-se o som dos helicopteros. Já estava a chegar a nossa ajuda. Iria tudo correr bem.
Começaram a ouvir-se de novos tiros vindos de todos os lados. Os nossos camaradas ripostavam e as coisas acalmaram. Ajudámos a levar os feridos para os helis.
"-Ana vais com este grupo!"
"-José fico aqui a ajudar-te."
"-Nada disso! Vais!"
Quando entrou o último ferido, empurrei Ana para dentro do heli. Ela sorriu.
"-Sim, papá vou já. E ainda bem pois o Rodrigues também vai." sorriu.
Antes da porta fechar-se, Ana voltou-se para me fazer adeus. Nesse momento um tiro furtivo, acerta em Ana Maria. O seu corpo é atirado ao chão. Corro na sua direcção. 
"-Ana estou aqui. Não digas nada. Estou aqui!"
Ana olha para mim. Do seu corpo o sangue escorre sem parar. O seu olhos marejados de lágrimas, a sua respiração ofegante no início, quase se deixou de ouvir.
Entro para o heli, e a porta corre atrás de mim para se fechar. Levantamos voo.
"-Rápido!"
Encosto a minha cabeça à de Ana e assim me deixo ficar.
"-José!"
"-Sim estou aqui, não digas nada!"
"-Protege a minha mãe. Diz-lhe que a amo muito."
"-Sim vou dizer e a teu lado."
"-José vive por mim, por aquilo que acredito, sê feliz!"
"-Ana, não te canses. Já falamos."
Senti a sua mão apertar fortemente a minha. Olhei para Ana e vi o seu olhar despedir-se de mim.
O meu coração ficou tão apertado, o meu olhar triste não deixava de ver Ana por um segundo sequer. Aos poucos o seu corpo deixou de batalhar pela vida, o seu olhar, foi ficando vazio, parado.
Não podia ser, não podia ser. Não a Ana.
O Dr. Vasco tentou fazer a reanimação, mas já não havia nada a fazer.
Ana Maria tinha morrido.
(continua)

Chuva

Assim como se de uma mentira se tratasse, ela chegou.
O final do dia de ontem, fez anunciar a sua chegada, a aragem fresca, húmida, o cheiro da terra molhada, embora não houvesse sinal algum da sua presença.
O corpo repousava serenamente na cama. Os cabelos emaranhados em cima da almofada, os braços dobrados por baixo da almofada. Primeiro foi o cheiro que despertou os meus sentidos. Água! 
Cheirava a água, não uma água caída do céu sem nexo, cheirava a água que caía na terra, terra essa que há meses que ansiava o seu toque. Um toque suave. O toque da água a entrar pela terra, escorrendo, percorrendo caminhos secos, agrestes. As raízes agitam-se, tentando sugar o mais rápido possível as pequenas gotas que passam por perto. Meses e meses de grande seca.
Mais em cima, as árvores, as plantas dançam! Todos os movimentos graciosos com o único objectivo de conseguir apanhar a maior quantidade de água possível. Agora sim, de novo brilhantes!
Levantei-me, encaminhei-me para a janela. O dia estava a nascer. A chuva caía, uma pequena neblina assolava a paisagem até onde a minha vista alcançava. Não estava a sonhar! Não podia ser mentira do 1º de Abril. Está de facto a chover. Abri a janela e estiquei os braços, que aos poucos foram ficando molhados. Parecia que a chuva, tal como fazia no interior da terra, entrava pela minha pele, tentando chegar à corrente sanguínea. Fazia-me falta, sentir a chuva no meu corpo. Aos poucos as mãos, depois os braços, e por fim todo o corpo ficou frio. Mas um frio que soube tão bem.
Fechei a janela, deixei a cortina aberta e fiquei a ver a chuva cair.
Voltei a deitar-me e adormeci.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Quanto de ti!

Quantos caminhos percorremos sem nunca nos termos visto?

Quantos desejos, paixões, partilhados!
Quantos sorrisos, quantas lágrimas?
Contudo amantes, sem nunca nos termos "amado"!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Flor

Sou como uma flor
Frágil, com a força do vento
Forte, quando presa à terra
Pequenos rebentos brotam de mim
Pressentindo um festival de mil cores

terça-feira, 27 de março de 2012

Escutar

A manhã de primavera fez entrar pelas vidraças entre abertas os primeiros raios solares. Pequenos raios que aquecem o meu corpo.
Fecho os olhos, fico bem quieta deitada.
Escuto os sons da manhã.
A leve brisa faz bailar os ramos despidos das árvores em volta da janela.
Uns passos apressados, fazem-me "visualizar" alguém apressado a caminho do serviço, ou então ao encontro de algo.
Alguns pardais esvoaçam pelo terraço, pousando nas árvores, chilreando uma actividade matinal agitada.
Uma respiração calma faz o meu olhar visualizar-te. Como é lindo o teu corpo na manhã, como é suave o som emitido.
Encosto o meu corpo ao teu. Sinto o teu braço envolver o meu corpo. Os teus lábios encostam nos meus.
E assim ficamos ouvindo os sons que entram pela janela.

domingo, 25 de março de 2012

Surpresas

Vem um pouco atrasado, eu sei, mas aqui está a surpresa do dia da mulher.
Uma sobremesa preparada pelo marido com a ajuda (moral) do cunhado, eheh.

sábado, 24 de março de 2012

Por ti

Por caminhos sinuosos eu sigo, com a finalidade de te conseguir encontrar.
Por ti percorro montes, vales. Combato ventos, tempestades.
Por ti morro e volto a nascer.
Por ti, por um sorriso teu, por um abraço eu entrego-me ao silêncio.
Tenho saudades

sexta-feira, 23 de março de 2012

Bom fim de semana

Como não consegui colar o vídeo, fica a letra.

COLDPLAY (FIX YOU)

When you try your best, but you don't succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you

And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try, you'll never know
Just what you're worth.

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you.

Tears stream down your face,
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I... [2x]

Tears stream down your face
I promise you I will learn from my mistakes
Tears stream down your face
And I...

Lights will guide you home
And ignite your bones
I will try to fix you...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Greves

Será que em dia de greve, os grevistas também fazem greve em casa???

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia

Em começo de Primavera
E logo no Dia Mundial da Poesia
Não podia o dia ser mais azarento
Queda, negras e galarós
Ficou o humor, birrento!

Amanhã espero que melhore
Senão ao dr. tenho que ir
Rebolar seis degraus não é brincadeira
Vá, pronto! Comecem lá a rir!!

Vou embora antes que piore
E em vez de rir tenha que chorar
Adormeço com os anjos
Com Morpheu quero acordar

Fui....

terça-feira, 20 de março de 2012

SLB 3 - FCP 2

Que grande golo de Lucho! (lindo, bom, bom jogador, claro)
Mas o meu Glorioso seguiu em frente.